Resenha: Deserto

by - sábado, agosto 03, 2013

Olá galera,

Confiram mais uma resenha aqui no blog ;)

Autor: Luis S. Krausz
Páginas: 152
Ano: 2013
Editora: Benvirá

Sinopse: Na década de 1970, um grupo de adolescentes brasileiros vai a Israel para ajudar na colheita de frutas cítricas e aprender a história do país. Eles dispõem de alguns dias de folga, mas estão proibidos de viajar à Europa, onde um judeu ingênuo poderia ceder às tentações burguesas e se desviar do caminho do sionismo. Um deles transgride a interdição e viaja a Londres. Com esse enredo Luis Krausz tece a fascinante história de famílias de judeus russos e do Império Austro-Húngaro, dispersas após a Primeira Guerra e início do nazismo. Nas suas andanças, o jovem parece reatar os laços entre parentes de Israel, Inglaterra e Brasil. Mas ele sabe que o tempo, a distância e o esquecimento desfizeram esses laços para sempre. O fascínio do narrador pela cultura austríaco-alemã não o impede de referir o Holocausto, num contraponto sombrio às suas exaltações da Europa Central. Não é possível esquecer que os homens dessa Europa admirável, que produziram a filosofia e a arte mais sublime também enlouqueceram e retornaram à barbárie, levando o mundo à destruição e ao horror. Lemos Deserto desejando que o livro não termine. A prosa de Luis Krausz é fluente, clara, com longos períodos proustianos, citações e ensaios. 


"Perambular por ali era como percorrer a paisagem de um deserto cheio de dunas e cavernas, a partir das quais sempre se descortinam novas paragens, nenhuma delas antes avistada, cada qual com novas promessas que parecem alcançáveis a alguém que se dispunha a avançar um pouco mais - mas, tão logo se tenha cumprido esse trajeto, ainda que com supremo esforço para triunfar sobre a fadiga, novos panoramas, com novas terras a serem desbravadas, se abrem ao olhar, transformando em nada o que foi visto até então se comparado ao que ainda se verá: a metáfora perfeita da insaciável sede de conquistas daqueles construtores do império onde o sol não se punha jamais"

Ganhador do 2º Prêmio Benvirá de Literatura, Deserto é um livro que embora contenha poucas páginas não deixa a desejar na qualidade e conteúdo em sua narrativa. Os que já acompanham o blog sabem que gosto de livros que trazem uma carga histórica e culturas de outros povos. Para compor uma obra assim, requer do autor além de muita pesquisa uma habilidade com a escrita, Krausz é doutor em Literatura e professor de Literatura Hebraica e Judaica da Universidade de São Paulo. Então, esse é um livro em que o autor escreve com propriedade e conhecimento sobre o assunto.
Ao contrário do que se possa pensar, não achei o livro de leitura difícil, ele demorou a me envolver no início, mas ao continuar lendo a leitura fluiu mais. Acho legal trazer mais sobre livros como esse aqui, como vocês sabem, é preciso se explorar novas leituras e sair da zona de conforto a que estamos acostumados.
Os personagens apresentados são maduros, é uma história mais real, palpável e sem exageros demasiados por parte do autor, o que da um toque de verossimilhança maior a obra. Livros assim tendem a me emocionar mais, pois penso em como as pessoas foram fortes e em tudo que tiveram que enfrentar.
Somos apresentados ao drama que as famílias judaicas enfrentaram após a primeira guerra mundial com a perda de costumes, familiares, mostrando as interferências do tempo, política, religião, a história de um povo e conflitos emocionais, os quais, aliás, foram bem trabalhados. Deserto nos vem mostrar as relações humanas e seus questionamentos internos, trabalhando também com a efemeridade do tempo.
Krausz tem um estilo de escrita que me chamou a atenção, pois embora parecesse distante como se tivesse apresentando a história, ela também transmite uma emoção e consegue te fazer pensar. As escolhas das palavras, a colocação e passagem dos fatos foram compostos de uma forma que me deixou admirada.
Como coloquei acima, não o considero um livro pesado, para aqueles que querem começar a ler obras mais reflexivas e com conteúdo histórico essa pode ser uma boa opção. Entretanto recomendo a lê-la quando estiver mais interessado em ler um livro mais profundo.
Em relação à diagramação gostei bastante, desde as folhas com ótima qualidade, ao tamanho da fonte, que não cansa do leitor. Livro bem escrito, bem revisado e com uma capa condizente a história. Considero Deserto como um livro único, que com certeza me acrescentou muito.




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12 comentários

  1. ai Dai gostei de você falar da diagramação, eu to procurando livros com fontes menos cansativas, não conhecia o livro, mas parece uma boa dica!

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  2. Oi Dai, tudo bem?
    Concordo com você... É muito bom leituras alternativas. Você descobre mundos incríveis e expande horizontes. Gosto de livros que transmitem conhecimento, sabe? Que sei lá, por menor a informação, ainda nos ensine alguma coisa da história. Esse livro sem dúvida eu não leria pela capa, mas a partir da sua resenha eu com certeza compraria.
    Já li grande peso sobre a Primeira Guerra Mundial e confesso que nenhum livro me surpreendeu muito... Quem sabe esse não me surpreenda?
    Beijos! ♥

    estantedasfadas.blogspot.com.br

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  3. Não é o meu tipo de leitura! Historias reflexivas e profundas não me atrai muito, infelizmente!!
    Mas gostei da dica.

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  4. É uma história bem boa pelo pouco que já vi, tem uma trama que pelo jeito vale mesmo a pena conferir e quem não gosta dessa coisa histórica em livros? Adoro conferir coisas assim.
    E a capa dele é tão legal, adoro esse capa.

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  5. É muito bom ler livros que nos ensinam coisas interessantes, que nos deixam um pouco longe da mesmice. Gostei bastante da resenha, me interessou muito.

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  6. Gosto bastante de livros com bases historicas e Deserto me interessou bastante. Gostei muito da capa tambem:)

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  7. Ainda não tinha ouvido falar nesse livro, ele faz bem o meu estilo, pois gosto realmente de ler algo que me acrescente alguma coisa (afinal essa é a função para a leitura, pelo menos na minha opinião). Gosto muito do tema holocausto, pois sei que é algo que realmente aconteceu e me faz enxergar como tenho que parar de reclamar da vida, quando teve gente que sofreu tanto.

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  8. Oii Dai adoro ler livros assim, mas para todo tipo de livro temos que ter o momento certo para lê-lo e absorver todas as informações. Me interessei pela leitura de Deserto, quem sabe um dia terei a oportunidade.

    BjOs!!!

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  9. Que capa bonita...não paro de olhar todos os detalhes que são revelados neste espelho d´água.
    Adoro livros com tema e cenários bem diferentes. Não conhecia esse livro e com certeza, vou procurar saber mais sobre ele.

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  10. Oi querida!!
    Nãoconhecia o livro mas realmente é um livro bem interessante. É sempre bom dversificar a leitura e este livro tem um assunto bem diferente do que acostumamos a ler. Ótima resenha...
    Bjuss♥

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  11. Assim como você, também gosto de livros que abordam história e outras culturas. E como esse é escrito por um expert no assunto, acho que deve ser muito bom. Por ser uma leitura um pouco mais densa, deixo para um futuro um pouco mais distante.

    @_Dom_Dom

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  12. Oi Dai!

    Faz muito tempo que não leio um livro assim, ando so lendo coisas bem leves, acho que ta na hora de eu voltar a ler coisas mais "profundas".

    Desde criança(quando li Anne Frank) tenho muita curiosidade sobre historias dessa época, prefiro ficção pq é muito mais dificil quando sei que aquilo realmente aconteceu, com a ficcao da pra imaginar que o autor exagerou em algumas partes, me enganar sabe?! rs

    meu medo com livros assim, escritos por "historiadores", é que fique mto didatico sabe? mas acho que não é esse o caso, já que o autor é, na verdade, um professor de literatura =P

    vou procura-lo depois

    bjoo

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Blog no ar desde 08/11/2011

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