Resenha: Zenith

by - quinta-feira, novembro 07, 2013

Olá pessoal!

Vamos de resenha de "Zenith", segundo volume da distopia "Exodus". Atenção: Se você ainda não leu o primeiro livro, recomendo que não leia essa resenha, pois pode conter spoiler do livro anterior. Post neutro, não válido para o top comentarista.

Páginas: 328
Autora: Julie Bertagna
Ano: 2012
Editora: Farol Literário

Sinopse:  Os inúmeros refugiados do barco quase não têm mais alimentos. Parece que o mar engoliu tudo, até as estrelas. O cenário é desolador: e se o mundo inteiro for mesmo só oceano? As águas não param de subir, muita gente já morreu e os sobreviventes buscam apenas um lugar onde seja possível recomeçar. Instigada por um precioso livro, a jovem Mara conduz todos à Groenlândia: após o derretimento das calotas de gelo, haveria uma terra verdejante no topo do mundo? Porém, a cidade flutuante de Pomperoy – um acampamento de barcos repleto de ciganos marginalizados – não estava nos planos de Mara e de sua tripulação. Quando os oceanos subiram e devastaram o planeta, a enorme quantidade de informações do mundo perdido foi armazenada no ciberespaço. Mara usa então seu ciberwizz – pequeno globo do tamanho de uma maçã – para entrar no mundo virtual em busca de ajuda. Nas ruínas abaixo da cidade celeste, o Raposo tornou-se um traidor de seu povo: sim, ele planeja uma revolução.

"(...) tornou-se difícil confiar em alguém ou em algo. O mundo ficou tão estranho, tão instável e irreal, que é difícil imaginar o que alguém faria ou não faria, inclusive ela mesma."

Zenith, de Julie Bertagna é um livro que li com o coração apertado, pois a todo o momento imaginava "isso poderia ser possível, não é mesmo?", o mundo está quase todo coberto por água, e a jornada de Mara e os demais personagens por conseguirem achar um pedaço de terra para que enfim possam se alojar e viver é tocante. Aqui Mara segue as orientações do antigo livro que encontraste, todos os refugiados estão dentro de um navio, e claro, nem todos tem fé nesse livro, e muito menos em Mara. Os dias se passam, a comida e a água que dá para beber, estão acabando e o desespero começa a tomar conta.
A dor de perder aqueles que amava, de estar dentro de um barco atrás de terra, de carregar dentro de si uma grande responsabilidade, pesam nos ombros de nossa protagonista e começamos a pensar que não, não está sendo nada fácil para ela.   Até que o navio que eles estavam batem em cidade chamada Pomperoy, essa se aloja acima do mar, ali não há terra, isso para eles é como lenda. Nessa cidade vivia Tuck, um personagem que é bem trabalhado nesse livro. Nesse acidente, sua mãe falece, assim como outros cidadãos, ou seja, uma boa destruição ficou naquele lugar. Os piratas resolvem ir atrás do navio, tomá-lo, vingar o que aconteceu a Pomperoy, e é ai que o destino de Mara e Tuck se encontram, mas não direi como, pois tenho medo de ser spoiler.
Bertagna narra em terceira pessoa não somente as cenas que se passam com Mara, mas também com Raposo e Tuck. Senti que isso da um entrelaçamento bom à obra e a deixa mais rica, fazendo com que as peças e todo o enredo se encaixe perfeitamente.


"Há um corte no tecido da noite. Uma reviravolta e um estrondo que nada têm a ver com o aparecimento de luzes no céu do polo magnético. Um grito e, abaixo, algo como a morte de um iceberg, mas essa voz é ainda mais profunda e antiga.

É a voz da Terra."

Uma coisa que vale ressaltar é o estilo de escrita que a autora possui, ela é delicada em suas palavras, conseguimos através dessas sentir a verdadeira essência da mensagem que ela quer nos passar em seu  livro. Como coloquei acima fiquei com o coração apertado, e assim como Mara, me apeguei a todos os focos de esperanças possíveis.
Esse universo meio que “apocalíptico” também foi bem composto e diferente de tantas outras distopias que vemos, ela parece ser mais real, possível. A luta pela sobrevivência, o instinto animal que se rebela dentro de cada um de nós quando levados ao extremo, proporciona ao leitor além de uma ótima leitura uma reflexão sobre nossos atos em relação ao meio ambiente.
Senti que em Zenith a narrativa foi mais lenta, mas também cuidadosa. A autora não quis exagerar, quis fazer o passo a passo de forma calma e aos poucos, isso pode dar uma impressão de que a história não está fluindo, mas a escrita segue seu fluxo próprio e quando vemos já estamos terminando esse belo livro. O final deixa alguns fios soltos para o último livro da série, aliás, algumas surpresas apareceram nesse.
A diagramação está linda, desde a capa até a parte interna, e muito bem revisada. Ainda prefiro o primeiro volume, mas este não deixou a desejar. Se você quer uma distopia que toque a borda da realidade, com uma história bem contada, emocionante e ao mesmo tempo bela, com certeza Zenith, e a série Exodus tem que entrar na sua lista!


Leia também

7 comentários

  1. Já estava gostando da resenha, mas quando li que a escritora usa palavras delicadas me interessei mais ainda, amo escritas assim!

    Bjs, Isabela.
    www.universodosleitores.com

    ResponderExcluir
  2. parece ser um livro bom, mas não me deixou extremamente curiosa ;x
    achei a capa do livro linda demais, e vendo a sinopse e comparando com a sua resenha, a sinopse dele não parece retratar quase nada do que o livro realmente é...

    ResponderExcluir
  3. apesar da sua recomendação de spolier eu não resisti a ler a resenha, pelo que compreendi a terra está sendo submersa e as pessoas lutam para sobreviver em meio a esse caos de enchente!
    achei interessante a temática em si, que é bem inovadora
    http://felicidadeemlivros.blogspot.com.br/

    ResponderExcluir
  4. Eu não li o livro ainda, mas li sua resenha sobre Exodus...quando li a resenha de Exodus fiquei interessada no livro (mas não o suficiente para adquiri-lo na Bienal...hehehe. Dei preferência para Morra por Mim e A falsa princesa), mas mesmo com a sua resenha agora não me sinto compelida a sair desesperadamente para a Saraiva e comprar este livro. Mas se um dia ele cair no meu colo...lerei com o maior prazer.

    ResponderExcluir
  5. Ainda não li o primeiro livro dessa trilogia, mas tenho bastante vontade, pois sou fã de distopia. Dei uma pulada para os dois últimos parágrafos dessa resenha, pra não ler algum spoiler. Vi que esse teve uma narrativa um pouco mais lenta em relação ao primeiro, mas adequada aos acontecimentos. Enfim, quero ler essa trilogia muito em breve.

    @_Dom_Dom

    ResponderExcluir
  6. APOCALIPITICO... um tema bem original..afinal que não quer saber sobre o futuro, e aliás estamos cansados de ver sobre o derretimento das calotas polares,e que se não cuidarmos do planeta essa será uma realidade ... A Natureza manda ..ela é a "mãe"... e estamos estragando nosso mundo.

    ResponderExcluir
  7. Não li o primeiro volume, porém tenho muito vontade...
    se trata de um tema que curto ler e acho que pelos comentários foi bem aproveitado.
    O ruim é o tanto de livro que tenho para ler acabo esquecendo de alguns =/ Mas irie anotar este.

    ResponderExcluir

Blog no ar desde 08/11/2011

Blog no ar desde 08/11/2011