Resenha: Menino de Ouro

by - domingo, dezembro 01, 2013

Olá galera,

Resenha nova no ar de um livro, muito, mas muito bom! Atenção: Post não válido para o top comentarista.

Autora: Abigail Tarttelin 
Páginas: 382
Ano: 2013
Editora: Globo Livros

Sinopse: A família de Max não permitiria nenhum desvio na imagem perfeita que havia construído. Karen, a mãe, é uma advogada renomada, determinada a manter a fachada de boa mãe, esposa e profissional. Steve, o pai, é o exemplo do chefe de família presente em sua comunidade, favorito a um importante cargo público. O ponto fora da curva é Daniel, o caçula, que, para os padrões da família Walker, é “estranho”: não é carinhoso, inteligente ou perfeito como Max. Melhor aluno da escola, capitão do time de futebol, atlético, simpático, sucesso entre as garotas: Max, o primogênito, é o menino de ouro. Ninguém poderia dizer que sua vida não é perfeitamente normal. Ninguém poderia dizer que Max esconde um segredo.


"Minha cabeça está tão cheia de vozes gritando que não sei dizer qual é a minha. Qual opinião verdadeiramente é a minha? Quem sou eu? Será que o fato de eu não ter um gênero importa mesmo? Ou será que isso significa que estou absolutamente sozinho? Alguém, algum dia, vai entender que eu só quero ser eu mesmo, ou será que todo mundo vai pensar para sempre que sou uma aberração?"

Eu havia pensado que nenhum livro mais em 2013 poderia me surpreender, pensei que minha lista de favoritos já estava praticamente pronta, mas eis que surge Menino de ouro, de Abigail Tarttelin, o livro que na sinopse já havia me deixado intrigada, e que entra na lista não dos melhores que li esse ano, mas sim na minha vida.
Max é um menino inteligente, lindo, líder, estereótipo do filho perfeito, do amigo perfeito, do irmão perfeito, mas ele tem um segredo, ele é intersexual (antes era chamado hermafrodita) e somente seus pais sabem disso e um casal amigo desses. Como intersexual, Max tem os dois órgãos sexuais, o feminino e o masculino, ele sempre esteve bem com isso, até que algo bem ruim acontece já nas primeiras páginas, foi uma surpresa bem grande quando li, não acreditava e assim como Max fiquei chocada. Pensei que havia sido uma ousadia da autora colocar isso logo de inicio, mas ela é tão incrível, seu estilo foge a qualquer regra, mostrando a face de uma autora talentosa e acima das expectativas.
O livro é narrado em primeira pessoa por Max, Karen e Steve (seus pais), Daniel (seu irmão), Archie (médica) e Sylvie, a garota que vai mexer com Max. Sylvie é diferente de outras meninas, ela gosta de homens mais velhos, escreve poesias, usa preto, nada social, e muito observadora, é como se ela conseguisse ver a verdadeira face das pessoas, seus sentimentos e expressões.
Karen e Steve são pais tradicionais, advogados e bem exigentes com os filhos, os quais têm que andar na linha. Daniel é o irmão de dez anos do Max, ele é incrível! Por ele ter essa idade as pessoas pensam que ele é apenas uma criança, o qual não entende as coisas de adulto, mas não, ele é muito inteligente, quer ser tratado como gente grande que realmente entende as coisas. Além de ser muito engraçado, ele é explosivo, temperamental, e também fofo. Sério, eu amei esse garoto. Archie é uma médica, mas sinto que ela é diferente, pois é quem vai nos ajudar a entender também um pouco da situação do Max.

"É o meu dever, como médica, lhe dizer tudo o que sei? Eu poderia contar, se ele perguntasse, mas e se ele nunca perguntar? Será que é melhor para ele passar a vida sem saber, mas sendo relativamente feliz? Ou será que ele só aparenta ser feliz, mas silenciosamente busca por algo, uma sensação de pertencimento, de seu "eu", de um lar dentro de seu próprio corpo?"

O fato de o livro ser narrado por todos esses personagens, tendo suas falas narrativas intercaladas, não deixa o livro confuso, ao contrário, permite que assim tenhamos uma noção mais ampla dos problemas e diferentes debates que o livro traz. Todas essas personagens são fortes e apresentam diferentes personalidades próximas ao real e contribuem para todo o enredo sair praticamente perfeito. Pensei que o foco do livro fosse recair somente sobre a intersexualidade, entretanto há diferentes focos e todos interligados de uma forma que torna a história crível e madura.
Até onde o sexo define quem somos? Ter um órgão sexual feminino ou masculino faz de mim quem sou? Define o que eu devo gostar e não gostar? Meu caráter e minha posição social? Tarttelin é tão incrível que discute sexualidade, não só a intersexualidade, mas também a questão da homossexualidade, e muito mais, pais, médicos e outros personagens entram nessa discussão seja de forma direta ou indireta. A autora não se perde na narrativa, ela aborda questões internas dos personagens com questões morais da sociedade de uma forma que pensei que jamais seria possível dentro de um livro. Nada é perdido, nada é confuso, o leitor consegue separar durante a leitura cada coisa, e mentalmente entende as relações propostas por Tarttelin.
Menino de ouro não é somente a história de Max e suas descobertas pessoais, mas também dos pais e até onde podem interferir na vida dos filhos, dos médicos e como tratam seus pacientes, e também seus conflitos éticos, até onde podem interferir na vida desses. De Sylvie, e o quanto o amor pode suportar.
O final é surpreendente, me emocionei em diversas cenas, pois me coloquei no lugar de Max e em alguns momentos senti que sua dor se tornou minha dor. Tarttelin tem um poder de escrever cenas fortes de uma maneira simples, porém com fundo complexo, e todo esse jeito especial faz com que tenhamos em mãos um livro muito bem narrado, muito bem escrito e com uma mensagem magnifica.
Menino de ouro me proporcionou muitas emoções, me agarrei à leitura dele que se seguiu até de forma rápida, simplesmente um dos melhores livros que li na minha vida, uma preciosidade que em minha opinião todos devem ler! Professores levem esse livro para sala de aula! E vocês leitores, guardem esse nome: Abigail Tarttelin, tenho certeza que veremos muito ainda esse nome dentro da literatura cult.

"Não importa de onde veio ou se é um menino ou menina, ou se você luta, ou se ele é esquisito, ou se ele tem dificuldade para se comunicar com você. Você só o ama, porra!"


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7 comentários

  1. oi Dai, menina imagino como esse livro deve ser bom para familias que vivem essa situação, por assim dizer
    acho que pode mostrar o quanto as pessoas ainda se seguem agoniadas por ter que se prender em nome de uma sociedade ainda muito preconceituosa
    http://felicidadeemlivros.blogspot.com.br/

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  2. meu deus, parece ser uma jogada super ousada da autora escrever sobre este tema, mas achei incrível
    não conhecia o livro nem a autora, mas vou buscar o livro agora mesmo!
    garanto que a autora conseguiu escrever um livro incrível!!!

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  3. É um livro no mínimo intenso, se o assunto abordado na historia já é algo bem diferente do que a gente costuma ler, juntando a isso, a genialidade dessa autora de saber conduzir toda a historia com personagens bem desenvolvidos e uma narrativa cativante, e é isso tudo que esperamos de um livro! Essa é a segunda resenha que leio dele e as duas foram muito positivas, ja coloquei o livro na minha lista de desejados, porque é muito bom! Parabéns pela resenha! :)

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  4. Recentemente ouvira falar desse livro, mas num primeiro momento, nem me interessei. Confesso que depois de lida a resenha, estou completamente surpresa. Estou completamente curiosa para saber como é a vida da família de Max e seu misterioso segredo. Entrou pra minha lista de leitura!

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  5. Não tinha ouvido falar sobre esse livro, mas fiquei com vontade de lê-lo. Parece que é bem profundo... Sobre coisas que a gente sempre se pergunta... Vou colocar o livro na minha lista de desejados, já! :D

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