Resenha: As crônicas marcianas

by - terça-feira, março 04, 2014

Autor: Ray Bradbury
Páginas: 292
Ano: 2013 (2ª Ed)
Editora: Biblioteca Azul

Publicadas originalmente em revistas de pulp fiction, no final dos anos 1950, nos Estados Unidos, As crônicas marcianas foram reunidas num livro por seu autor, no início dos anos 1960, e interligadas por pequenas costuras narrativas. As crônicas acabaram formando emocionante panorama imaginário da chegada do homem a Marte e da colonização do planeta pela espécie humana. Livro que pode ser visto como um romance fragmentado ou uma seqüência conceitual de contos.



Ray Bradbury é um dos meus autores preferidos, e um dos responsáveis por me cativar para o mundo da leitura. Agora tive a oportunidade de conhecer As crônicas marcianas, e mais uma vez reverencio o grande talento desse autor, um mestre da ficção cientifica que sempre esteve à frente de seu tempo.

As crônicas marcianas apresenta uma narrativa diferente, são várias crônicas com diferentes personagens, tempo e espaço - Marte ou a Terra. Não há uma sequência direta como no gênero romance, mas as crônicas (que possuem uma ordem cronológica dos anos) se interligam entre si através do foco central: a conquista e colonização de Marte por parte dos humanos. Algumas crônicas, principalmente as iniciais, são sob o ponto de vista dos marcianos que já residiam no planeta antes da chegada do homem, e depois dos homens querendo e indo para Marte, e sua colonização. 

A espécie humana que sempre se vangloria por ser superior, nesse livro soa até mesmo como tola, pois ousa apresentar os mesmos erros que cometeram na Terra em Marte, impondo sua cultura e com nenhum respeito aos residentes locais (os marcianos). Tornando-se cegos diante de seus próprios egos moralistas, não percebendo que foi agindo daquele modo que tornaram seu planeta um lugar tão insuportável, passando a impressão que o ser humano está fadado a sempre a se autodestruir.

"Ele e milhares de pessoas como ele, se tiverem alguma sensatez iriam para Marte. Pergunte-lhes se não iriam! Para fugir das guerras, da censura, da estatização da conscrição e do controle do governo sobre isto e aquilo, sobre a arte e a ciência! Vocês podem ficar com a Terra! Estava oferecendo sua mão direita boa, seu coração, sua cabeça, pela oportunidade de ir a Marte! O que era preciso fazer, onde era preciso assinar, quem era preciso conhecer, para embarcar no foguete? - O contribuinte"

Bradbury consegue enxergar a alma humana e transportá-la para páginas com uma facilidade invejável. Seus personagens nos chamam a atenção justamente por serem tão humanos, o que soa brilhante e ao mesmo tempo amedrontador. A sátira presente em sua escrita desmascara o comportamento de uma sociedade com valores imutáveis, mostrando que mesmo se fugíssemos da Terra para Marte ou qualquer outro lugar, seria impossível deixarmos nossa 'essência', que se concretiza e é transmitida através da cultura.

Mesmo se tratando de uma ficção o que temos nessa obra são doses de realidade, metaforizadas e trabalhadas com boas pitadas de ironia, numa linguagem que beira a poética. Este é um livro que permite que o leitor reflita, pense e repense sobre o que lê e ao mesmo tempo interligue com o real. O autor é destacado como atemporal e clássico justamente por essa característica, pois não importa o tempo que suas histórias se passem, ou quando serão lidas, elas sempre serão facilmente correlacionadas com a sociedade.

As crônicas marcianas é inspirador, desafiante e real, com um desfecho simplesmente brilhante, criado por um autor ousado para com seu tempo e revolucionário dentro de sua própria escrita, fazendo-nos pensar: E afinal, quem na verdade são os marcianos? Eles ou nós? Um reflexo crítico e triste de nós mesmos, trazendo a superfície aquilo que parece estar oculto de maneira clara, diante da narrativa de Ray Bradbury o ser humano e a sociedade encontram-se nus.

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8 comentários

  1. Oie Daiane, ainda não li nada do Ray, mas parece ser bem bacana, embora eu não goste muito de ficção científica, mas achei legal o fato dele conseguir surpreender o leitor e intercalar os pontos de vistas durante a leitura!!! Beijos!

    http://meudiariojk.blogspot.com.br/

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  2. Acho que por ser completamente fora do que eu to acostumada que eu fiquei tão curiosa, principalmente pelo ponto de vista dos marcianos. me pareceu ser um livro pra refletir e eu gosto assim!! também gosto de vir aqui e descobri livros que são interessantes e que talvez eu nunca descobriria

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  3. Oi Dai,

    Nunca tinha ouvido falar nesse livro, é diferente do que estamos habituados a ler. Sua resenha me deixou bastante curiosa para conhecer os marcianos, gostei da parte em que cita a tolice dos homens, não é de duvidar que quando a terra estiver impossível de se viver, se o homem não irá aterrissar em outro planeta procurando abrigo e uma vida diferente.
    Parabéns pela resenha.

    Beijos!!!

    @jannagranado
    http:livrospuradiversao.blogspot.com.br

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  4. não conhecia o livro, mas achei bem interessante o enredo criado, diferente!
    acho que precisamos desse tipo de renovação
    http://felicidadeemlivros.blogspot.com.br/

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  5. Olá Daiane, acho que li uma resenha desse livro em um blog que me deixou bem interessada, tem umas crônicas que parecem ser muito divertidas, como as dos velhinhos que vão à marte por conta da religião se não me engano, estou doida pra ler e ver se é tão bom mesmo e se tem a pegada de humor do Guia do Mochileiro das Galáxias

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  6. Adoro a narrativa do Ray! Concordo com a Adriana, a história me lembrou O Guia do Mochileiro das Galáxias. E também como O Guia, por trás da história fantástica e engraçada tem uma mensagem para passar.

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  7. Primeira resenha que leio do livro, e apesar de achar que eu possa gostar do livro, não é uma leitura que eu faria agora.
    Bjs, Rose.

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  8. Pelo que li na sua resenha, e pelo o que eu entendi esse livro parece ser um livro para refletir, para podemos refletir sobre o que é dito no livro, gostei muito da sua resenha acho que se eu tivesse só lido a sinopse não teria gostado, mas lendo sua resenha acabamos tendo ou idéia sobre o livro.

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