Resenha: Nu, de Botas

by - quarta-feira, março 12, 2014

Autor: Antonio Prata
Páginas: 160
Ano: 2013
Editora: Companhia das Letras

Sinopse: Em Nu, de botas, Antonio Prata revisita as passagens mais marcantes de sua infância. As memórias são iluminações sobre os primeiros anos de vida do autor, narradas com a precisão e o humor a que seus milhares de leitores já se habituaram na Folha de S.Paulo, jornal em que Prata escreve semanalmente desde 2010. Aos 36 anos, Prata é o cronista de maior destaque de sua geração e um dos maiores do país. São de sua lavra alguns bordões que já se tornaram populares - como “meio intelectual, meio de esquerda”, título de seu livro anterior e de um seus textos mais célebres -, bem como algumas das passagens mais bem-humoradas da novela global Avenida Brasil, em que atuou como colaborador de João Emanuel Carneiro. Prata também é um dos integrantes da edição Os melhores jovens escritores brasileiros, da revista inglesa Granta. As primeiras lembranças no quintal de casa, os amigos da vila, as férias na praia, o divórcio dos pais, o cometa Halley, Bozo e os desenhos animados da tevê, a primeira paixão, o sexo descoberto nas revistas pornográficas - toda a educação sentimental de um paulistano de classe média nascido nos anos 1970 aparece em Nu, de botas. O que chama a atenção, contudo, é a peculiaridade do olhar. Os textos não são memórias do adulto que olha para trás e revê sua trajetória com nostalgia ou distanciamento. Ao contrário, o autor retrocede ao ponto de vista da criança, que se espanta com o mundo e a ele confere um sentido muito particular - cômico, misterioso, lírico, encantado.

A primeira coisa que me chamou atenção quando entrei no site da Companhia das Letras e vi este livro entre os últimos lançamentos foi a capa. Simples, direta, reflexiva. Abri o link da obra e li a sinopse. Deparo-me então com um livro de crônicas sobre a infância de Antonio Prata. Apaixonado que sou por histórias assim, decidi ler. E foi uma experiência muito engraçada e nostálgica. Antes de falar sobre as memórias de Prata, preciso contar um pouco sobre as minhas. Devo alertá-los que não sou velho quanto vai parecer. Na verdade, acabei de passar pela fase que vou detalhar a vocês. Mas já sinto saudades. Todos sentimos.

Não fui uma criança que brincava na rua e voltava pra casa sujo, igual aos comerciais de sabão em pó. Pelo contrário, eu sempre gostei de assistir desenhos, filmes, montar quebra-cabeças e ler. Odiava ser chamado de criança, essa denominação era proibida ao me mencionar. Sempre quis ser adulto. Um pseudo-nerd, metido à gente grande e pobre. Essa é uma boa definição para o Gustavo dos 8 anos de idade.

Não tinha videogame, nem computador, nem celular, isso ainda era "coisa de rico", segundo minha mãe. As poucas vezes que eu cedia à vontade dos meus primos ou dos vizinhos e passava a tarde jogando bete-ombro na rua de casa (trânsito? puff, isso ainda não existe aqui, eu moro no interior) ou de esconde-esconde na casa da minha vó ou mais raro ainda, quando eu decidia jogar futebol e me divertia errando os passes e não marcando gols. É, futebol só pra assistir, jogar não é pra mim.

Enfim, durante todos esses momentos em que eu realmente fui "criança", digo do modo de agir, porque o de pensar sempre fui (e desconfio que ainda sou), vão ficar eternizados na minha memória. E se eu pudesse, teria aproveitado mais, me sujado mais, tocado mais campainhas e saído correndo, me ralado mais, brincado mais. A infância é a parte mais deliciosa das nossas vidas e nos damos conta disso em cada outra fase que passamos. Eu mesmo, com o vestibular batendo à porta, só penso em como eu queria ter 8 anos novamente. Ai, ai, desculpem o desabafo, mas eu precisava compartilhar essas memórias com vocês porque Nu, de Botas, me fez lembrar dessa época. Ou melhor, dessa fase, época faz parecer muito tempo e estamos falando de 9 anos atrás. A quem estou querendo enganar, eu ainda gosto de danoninho.

Agora falando da infância de Prata, ou melhor, das histórias que ele conta de sua infância, o livro me conquistou a cada nova lembrança que eu lia. A obra possui uma narrativa rápida, inocente, sincera, e o autor descreve com humor diversos episódios dos anos em que ele não tinha nenhuma responsabilidade ou preocupação. A escrita de Antonio leva o leitor do riso à emoção em questão de palavras e quem viveu a infância nesse período da década de 80 vai sentir ainda mais as referências e lembranças desses anos tão invejáveis.

Algumas das crônicas são extremamente hilárias e o modo simples, inocente, mas no mesmo instante profundo e adulto como alguns causos são detalhados dão a história um toque brilhante. Prata trata de alguns assuntos infantis de maneira adulta e de alguns assuntos sérios de uma forma ingênua, na visão de uma criança. Essa dosagem traz bons frutos à obra e é um dos pontos mais altos do livro para mim.

A edição da Companhia das Letras está impecável como sempre. A diagramação é simples, as folhas são amareladas e a fonte de um ótimo tamanho. Como já mencionei, a capa é muito bonita, e isso se dá por sua simplicidade e intimidade com o leitor, é quase como se o autor dissesse venha cá ouvir umas histórias. Genial!

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16 comentários

  1. Parece ser interessante esse livro, mais não me cativou muito ele, fiquei curiosa de saber sobre a infância dele mais realmente não é um livro que eu queira ler com urgência, já a sua pequena história de infância fez lembra a minha também, eu também não fui essa crianças que brincava assim, como essas propagandas de sabão em pó mostram, eu só realmente brincava quando meus primos viam aqui em casa fora isso sempre gostei de assistir desenhos, principalmente desenhos japoneses, e eu também não to tão velha assim kkkkk, pra mim também é ano de vestibular e mais um Enem.

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  2. Olá Gustavo, quando me deparei com o título do livro pensei: Nossa que livro será esse? Nunca ouvi falar...mas aí li a sinopse e ele me pareceu interessante e lendo sua resenha não teve como eu não me transportar para a MINHA infância, sim essa época é a melhor de toda a nossa vida, sem sombra de dúvida, a minha já passou faz tempo, bem mais que a sua, mas me lembro como se fosse ontem, eu adorava desenhos animados, mas isso não me fazia esquecer de ir para a rua e brincar das diversas brincadeiras que hoje em dia você nem escuta falar, celular, tablet, computador, internet...o que era isso naquela época? Tenho orgulho de ter vivido uma infância onde pude correr, pular, ralar joelhos...e tenho "dó" das crianças de hoje em dia que jamais saberão como foi a nossa infância.
    Parabéns pela resenha, você soube se expressar muito bem...imagino que se um dia puder ler o livro a sensação de voltar a infância será mais intensa ainda, pois só de ler a resenha já fiquei com saudades...agora ficarei aqui o resto do dia na nostalgia, pensando em minha doce e pura infância, você teria aí uma máquina do tempo? Rsrs...

    Beijos!!!

    @jannagranado
    http://livrospuradiversao.blogspot.com.br

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  3. também não fui dessas crianças que ficavam brincando na rua não. ou era dentro do quintal de casa, ou na casa da minha avó, e olha que também sou do interior, onde transito mal existia hahahaha
    na minha infancia teve sim computador, pois na profissão do meu pai, logo que surgiu os primeiros computadores ele foi obrigado a se adaptar, mas enganasse você se pensa que ele deixava eu chegar perto, quem dirá tocar nele! hahaha
    pior que só nos damos conta quando o tempo passa mesmo né? hoje em dia tantas crianças tentam se mostrar mais velhas do que realmente são, usando roupas de adulto, tendo atitudes de adultos... e eu acho isso um absurdo, pois agora que estou mais velha, me sinto arrependida de não ter aproveitado mais esta época...
    não conhecia este livro ainda Gustavo, mas me senti tão curiosa e ansiosa para ler ele que você não faz ideia!
    vou tentar ler ele logo, porque sim! parece ser ótimo *-*

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  4. Nossa, gustavo! Já eu era uma criança que não podia ouvir a palavra 'adulta'! Não queria crescer de jeito nenhum, eu não via muitos desenhos porque estudava o dia todo em uma escola de freiras, e lá foi onde passei meus momentos maravilhosos de infância, brincava corria fazia tantas coisas e eu sinto tanta falta que chega a doer. hahaha. Confesso que quando eu tava na pré-adolescência eu chorava porque não queria deixar de ser criança; Que bom que você guarda esses seus momentos na memória e nunca é tarde pra aproveitar! Leria o livro com certeza, acho a infância um tema pessoal e convidativo! bjs.

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  5. é tão gostoso quando um livro nos faz reviver momentos! momentos que as vezes vc esquece, mas que são tão maravilhosos que devem ficar na alma!
    http://felicidadeemlivros.blogspot.com.br/

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  6. Não me interessei muito pelo livro e não gostei da capa. Apesar de muito tímida na infância, aproveitei bem, mas não gostava das brincadeiras típicas de guria, preferia mais jogos e corridas.
    Bjs, Rose

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  7. Noossa Gus então você não teve infância, hahahahahah, a minha foi totalmente diferente, corria na rua, quando ia pra fazenda pintava o sete com os amigos e primos e era uma bagunça só, adorava banhar no córrego que tinha mais lama do que água e depois ouvir minha mãe encher o saco pelo resto do ano pelas roupas, unhas e cabelos sejos!!! hiihihihihhi, Achei bem bacana a premissa do livro e fiquei super curiosa pra ler, pelo fato de retratar a infância e as crônicas serem leves, irônicas e engraçadas!!! Espero poder ler!!!

    Beijos!


    Meu Diário

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  8. Gente, eu era exatamente o seu oposto, chegava em casa suja, ralada, descabelada e na maioria das vezes levava uma bronca por ter ficado até tarde brincando na rua com meus amigos. Nunca gostei de me enclausurar em casa para assistir filmes e outras coisas a não ser que estivesse doente. E como brincava muito fora de casa vez por outra ficava doente: garganta inflamada, e tome e ler livros e revistas em quadrinhos. Acho que vou amar ler essas crônicas, porque me remetem ás coisas que me fizeram tão bem quando eu era criança. Apesar de que pelo título eu nunca imaginaria que seria essa a temática.

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  9. Super concordo com o que você disse sobre a capa, ela convida o leitor a ler o livro e conhecer as histórias que estão dentro dele. É uma capa simples, mas muitíssimo bela.
    Também não fui uma dessas crianças de comercial de sabão, mas não por falta de vontade, sempre quis ser igual a elas, mas a verdade é que morava em capital (Salvador) e morar lá nunca é fácil!

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  10. Eu gostaria de ler ,sei la parece uma leitura rapida ,engraçada e bem leve .

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  11. Esse livro deve ser maravilhoso pra relembrar da infância. Gustavo, eu ainda amo danoninho também kkkkkkkk u.u me identifiquei contigo.
    E-mail: juliamariamoraes2013@gmail.com
    Nome de seguidor: Julia Moraes

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  12. Adorei o seu desabafo e me identifiquei com várias coisas. Também gostaria que a infância voltasse e eu iria fazer tudo o que tivesse vontade de fazer e um pouco mais.
    Mas, infelizmente esse tempo passou. E aqui estamos nós, cheios de nostalgia.

    Também concordo que, a década de 80 foi uma época realmente invejável...
    Gostei da resenha e fiquei com vontade de ler esse livro e poder voltar no tempo junto com o autor. <3

    P.S: Quem é o louco que não gosta de danoninho? hahahah
    Bjs

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  13. Viajei à época da minha infância também... que saudade!! Aprontava todas na rua e sempre chegava ralada em casa. Era bom demais!! Adorei a capa e o tema do livro, me deu vontade de ler e relembrar com o autor.

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  14. Gustavo, adorei seu desabafo. Me identifiquei em partes, pois tive uma fase pseudo-nerd já na infância também e me virava do jeito que dava! Também adorei saber mais sobre esse livro que deve ser um tesouro para ler e ser relido toda vez que a saudade apertar.

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  15. Assim como você também brinquei mais dentro de casa do que na rua e me identifiquei com a sua história.
    Adoro cronicas, com certeza leria esse livro. A capa esta muito chamativa e linda!

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  16. Não conhecia o livro, mas a capa me chamou a atenção de cara, muito bela.
    Já o conteúdo, parece até legal... mas não sei agora eu compraria, apesar de achar que vale a pena. Mas futuramente, sim =)

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