Resenha: A queda

by - sábado, março 29, 2014

Autor: Michael Connelly
Páginas: 311
Ano: 2014
Editora: Suma de Letras

A três anos da aposentaria, a carreira do detetive Harry Bosch no Departamento de Polícia de Los Angeles está perto do fim. Numa manhã, ele recebe dois novos crimes para solucionar, junto com seu parceiro David Chu. No primeiro, uma prova de DNA, encontrada no pescoço de uma vítima de um crime cometido há vinte anos, indica que o criminoso era uma criança de apenas oito anos. As evidências levam Bosch a se perguntar se o caso apontaria para uma criança assassina ou se houve uma falha do laboratório de análises criminais. O segundo crime investigado não é menos instigante: um delito que tem, certamente, caráter político. O filho do vereador Irvin Irving – um antigo inimigo de Bosch – pulou ou foi empurrado da janela de um hotel de luxo. O mais surpreendente é que foi o próprio Irving quem solicitou ao Departamento de Polícia que a investigação fosse conduzida por Bosch. Em A queda, Michael Connely mantém a narrativa perspicaz e repleta de reviravoltas. Na trama, o detetive protagonista busca descobrir os indícios para solucionar os dois casos. Afinal, há três décadas, um assassino opera secretamente na cidade e uma conspiração política age no departamento de polícia corrompendo a instituição.

A queda, suspense policial de Michael Connelly, é protagonizada pelo detetive Harry Bosh, logo quando começamos a leitura ficamos sabendo que ele já é experiente e está próximo de se aposentar, porém poderia atuar na polícia por mais três anos. O primeiro caso que recebe já no início é envolvendo um assassinato que ocorrera há vinte anos, entretanto no mesmo dia um novo caso também lhe é entregue, o filho de um vereador pulou ou foi empurrado da janela de um hotel.

Bosch procura pistas dos dois crimes, para ele ambos são importantes, e em alguns momentos o crime envolvendo o filho do vereador toma uma parte maior da história, contudo ao final o outro também recebe seu desfecho. Duas histórias são narradas no enredo, já que são dois crimes que se diferem, um envolve corrupção política e outro abuso sexual, e enquanto lia fiquei pensando se haveria alguma ligação entre eles ou o porquê dessa escolha por parte do autor.

Depois pude ver que Connelly  foi esperto ao colocar dois casos, e lá no final, na última linha pude entender o que ele fez, pois se somente um fosse escolhido para tema central, ficaria vago ou teria que ter sido muito mais trabalhado. O primeiro caso à medida que vai se desenvolvendo instala no detetive e no leitor questionamentos que põem em conflito princípios éticos e morais já enraizados nós. Faz vermos algumas coisas sob outra perspectiva e se torna difícil julgar. Já o caso do vereador envolve a corrupção, tocando em feridas sociais, e ao final deste também nos encontramos maquinando algumas perguntas em nossas mentes, e é nisso que eles se coincidem. Tanto um como o outro nos colocam em uma corda bamba de pensamentos.

"-Mas às vezes você precisa pegar o caminho errado para encontrar o caminho certo."

Em relação ao personagem Bosh, este se mostra um homem sério, muito inteligente e perspicaz em suas observações. O que me surpreendeu no livro não foi o desfecho e nem resoluções dos casos, e sim sua capacidade de raciocinar rapidamente e enxergar as coisas além, algo que se deve a sua vasta experiência. Os demais personagens também foram bem trabalhados, porém não concordei com um leve romance que se instaurou entre Bosh e a doutora Stone, achei que ficou um pouco forçado, algumas coisas ficaram mal explicadas, e as atitudes da doutora também não eram muito condizentes. Parecia que o autor quis colocar aquilo, depois se arrependeu e deu um jeito de remendar. Felizmente esse detalhe não atrapalhou ou comprometeu o bom andamento do livro, só ficou meio descolocado. 

A narrativa é crua, com muitos detalhes e Connelly não economiza nas descrições, deixando-nos em choque em alguns momentos pela realidade de suas palavras. O livro envolve logo no começo, porém os desfechos não são de todo surpreendentes, são meio que esperados sabe? Como eu coloquei acima, os meios e algumas ações surpreendem mais que o resultado em si. Dessa forma não me senti tão desafiada, cada peça foi se encaixando em um quebra-cabeça que ao terminar não consegui entender bem o que estava a minha frente, foi preciso voltar, pensar, para dai entender o que o autor fez. Seu objetivo não foi impressionar, mas sim fazer refletir, colocando o leitor em uma correnteza de conflitos e questionamentos consigo mesmo.

Eu esperava mais do suspense, mas mesmo assim gostei, foi bom e saiu do já ‘tradicional’ dos romances policiais, aproximando-se mais de uma narrativa real. A queda é um livro bom, com conteúdo bem trabalhado e enredo que instiga e faz com que o leitor se envolva. Não surpreende muito, entretanto sabe nos deixar pasmos e complexos perante situações que não esperávamos.

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18 comentários

  1. Bom eu até que achei interessante a resenha e o livro apesar de que quando penso em romances policiais eu sempre penso no inesperado, e meio que me pareceu que (algumas partes talvez?) a gente vai "adivinhando" o que vai acontecendo com a história, fora isso eu leria porque eu gosto desse gênero. bjs!

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  2. Adoro suspenses policiais, eles sempre me surpreendem, e me prendem do início ao fim da leitura. Fiquei interessada por esse livro, não conhecia o autor dele, mas amei a sinopse.
    E-mail: juliamariamoraes2013@gmail.com
    Nome de seguidor: Julia Moraes

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  3. Oi Dai, gostei da sua resenha, mas pra falar a verdade, não me interessei por esse livro, eu amo suspense policial mas nem a sinopse e nem o enredo desse me animaram. =/
    Beijo

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  4. Quando li a sinopse, me lembrei do filme "Red" que assisti e não curti muito, apesar de ter ótimos atores no elenco. E o livro eu imagino que siga o mesmo raciocínio: o conteúdo tem tudo para ser ok, mas não creio que me conquistará.

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  5. Não curto muito livros desse gênero, e por isso esse não chamou minha atenção, tanto pela capa, quanto pela sinopse.

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  6. Adoro suspenses policiais mas esse parece meia boca. A capa esta muito bonita, mas acho que não leria

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  7. Ainda não li nada do Connelly, mas esse livro parece ser bom, tirando a parte do romance meio forçado e os desfechos não serem tão surpreendentes, já que sempre esperamos algo excêntrico de um livro policial, mas gostei do fato dos personagens serem bem construídos e o Harry ser bem experiente no que faz!!! Gostei da capa e espero poder ler esse livro!

    Beijos!


    Meu Diário

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  8. Ainda não li nada do Connelly, mas esse livro parece ser bom, tirando a parte do romance meio forçado e os desfechos não serem tão surpreendentes, já que sempre esperamos algo excêntrico de um livro policial, mas gostei do fato dos personagens serem bem construídos e o Harry ser bem experiente no que faz!!! Gostei da capa e espero poder ler esse livro!

    Beijos!


    Meu Diário

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  9. Até gosto de livros policiais, mas esse não conseguiu chamar minha atenção. Não gostei muito da capa e a sinopse tb não me atraiu...

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  10. Infelizmente esse não é o meu tipo de gênero, mais eu gostei da sua resenha ate me deu um pouquinho de vontade de lê-lo, mais por enquanto ainda não, uma coisa que eu gostaria de perguntar é que você disse na resenha, que o livro foi bom e saiu do já ‘tradicional’ dos romances policiais, isso que dizer que ele não é só um gênero policial e sim romance também tirando aquele romance que você achou meio fossado entre Bosh e a doutora Stone, o livro também é um romance ?

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    1. Oi Ray,
      nesse trechinho da resenha eu coloquei "romance policial" no caso gênero narrativo (que envolve estrutura, composição literária, etc) e não no sentido romântico (caso de amor) heheheh. O livro é do gênero romance policial, mas não é um romance (novela amorosa), ele até tem um caso de amor ali, mas não é o principal e nem o foco, é algo extra (q não foi mto bom). Flor não sei se consegui explicar direito :s mas espero ter esclarecido sua dúvida, qualquer coisa estou a disposição para explicar melhor por e-mail, é só entrar em contato ^^
      Bjs linda e obrigada pelo comentário.

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  11. adoro este tipo de trama, pois é um gênero que eu gosto muito de ler, e estou muito curiosa para ler este livro!
    já vi muitos comentários positivos dos livros do Michael, mas até hoje não li nenhum dos livros dele lançados por aqui :(
    espero conseguir ler algum logo...

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  12. Oi Dai,
    O legal de ler livros com mais de uma história é que quando o autor está narrando uma história bem na hora mais emocionante ele para e muda de história ai você fica na curiosidade para saber o que vai acontecer, mas no mesmo instante você se interessa pela história atural, e assim vai, mesclando entre as duas histórias, ou as vezes dois personagens. Esse livro eu ainda não tinha lido nenhuma resenha, e se tivesse a oportunidade com certeza iria ler. Ótima resenha.

    Beijos!!!

    @jannagranado
    http://livrospuradiversao.blogspot.com.br

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  13. não leio livros policiais, talvez seja por isso que não me envolvi com a sua resenha, eu li mas sem aquela pretensão de quero ler!
    http://felicidadeemlivros.blogspot.com.br/

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  14. Dai quando vi o título do livro fui imediatamente comparar com o filme A QUEDA (as últimas horas de Hitler), pois achei que era a versão impressa do mesmo. Mas eis que me deparo com algo muito diferente. Achei interessante, mas não sei se etou num momento muito literatura policial não!

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  15. Amo o gênero, é um dos que mais leio <3
    E estava de olho neste lançamento aí e esperando resenhas positivas, rs. Poxa! Quero muito ler.... muito interessante o contexto.

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  16. Eu não gosto nem um pouco de livros dese gênero, por isso não me animei pra ler.
    Se decepcionar com um livro é bem triste, é uma pena que a obra não tenha sido tão boa quanto você imaginava.
    Adorei esse efeito da capa, toda quadriculada!

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  17. Que bom que o livro cumpre seu papel de entreter, mesmo que não inova sendo de uma narrativa boa com mais pontos positivos do que negativos já vale a pena, também quando li a sinopse também achei que haveria uma conexão entre os dois casos, o que ocorreu a vinte anos me chamou mais a atenção, por nos fazer rever nossos conceitos.
    Não entendo essa mania de alguns autores não investirem totalmente no suspense e se atreverem a colocar romance no meio de livros que seriam muito melhor sem eles, pelo visto o livro no final teve um saldo positivo.

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Blog no ar desde 08/11/2011

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