Resenha: A Aveleira e a Madressilva

by - segunda-feira, maio 05, 2014

Autora: Lia Neiva
Páginas: 150
Ano: 2014
Editora: Globo Livros

O mito de Tristão e Isolda é um ícone da literatura ocidental. Há nove séculos inspira poetas, escritores, músicos, pintores e dramaturgos sem perder a força. É uma narrativa atemporal, que toca em temas universais e revela um pouco da alma humana em cada personagem. Com o livro, A aveleira e a madressilva, Lia Neiva retoma essa lenda celta e cria uma adaptação para o público juvenil. Na história, Tristão, sobrinho do rei Marcos da Cornualha, recebe a missão de descobrir uma esposa para o tio. Na Irlanda, ele encontra a moça perfeita, a princesa Isolda. Por ironia do destino, os dois se apaixonam, mas não conseguem impedir o casamento de Isolda com o rei. Aos jovens, então, não resta outra alternativa a não ser desafiar os costumes da época para viver um amor irreprimível. De maneira hábil e original, Lia Neiva constrói um enredo dinâmico e intimista, que estimula o imaginário com ingredientes do universo mítico celta – magias, poções, simbologias e seres imaginários – ao mesmo tempo em que fala de liberdade, desejo, ciúme e traição. Sem julgamentos ou maniqueísmos, a obra expõe relações de amor e amizade, direito e dever e estimula uma reflexão sobre a autonomia do homem diante da sociedade. Bem encadeada e rica em imagens, a trama mistura elementos da realidade histórica das tribos celtas com situações e detalhes nascidos da imaginação de uma grande contadora de histórias. A obra seduz pelo tema fascinante, a linguagem sem rebuscamento e a sucessão ágil dos acontecimentos. Apesar de dirigida ao público jovem, tem tudo para prender o leitor de qualquer idade.

Tristão e Isolda é uma história de origem celta, que teve sua origem assim como muitas outras que conhecemos através da oralidade, cantadas ou recitadas. Aliás, é dai que temos o primórdio da Literatura. Histórias essas que eram contadas para entreter, para um grande ou pequeno público, que traziam em seu enredo o amor, vitória de guerras, aventura, tragédias, deuses. Com o tempo, e passando por diferentes lugares, essas narrativas sofreram alterações, um acrescenta daqui outro dali, e somente séculos depois foram transpostas para o papel.

Sempre gostei das histórias célticas, mas não foi na escola que tive o primeiro contato, embora já tivesse ouvido falar deles lá nas aulas de História, mas nada aprofundado sobre sua literatura. Fui aprender mesmo e ir atrás quando um pequeno livro com contos celtas me chamou a atenção e eu quis conhecer mais, e que contos e histórias tão belas eles têm! Por esse motivo quis conhecer mais sobre Tristão e Isolda, e vi que esse livro seria perfeito para tal.

Uma poção mágica, um casal com uma paixão proibida, um rei sendo traído pela própria esposa e pelo sobrinho. Correram perigo, desafiaram a tudo e a todos para manter o amor intacto, mas havia os “vilões” aqueles que queriam mostrar ao rei a verdade que lhe acontecia debaixo do nariz, os interesses políticos. Histórias como essas sobrevivem ao tempo por conter valores humanos que passe o tempo que passar continuam imutáveis, a essência sempre vai permanecer. Como em Romeu e Julieta, de Shakespeare. Para quem já leu a peça sabe que não importa quantas vezes leia, sentirá algo puro, intrínseco a alma humana e traz aquele sentimento que nos faz perder a cabeça e deixar a racionalidade: o amor.

"(...) Minha cara jovem, o ódio, é muitas vezes, a outra face do amor. Não se deixe enganar pelas aparências, pois são tênues os limites entre amar e odiar."

Uma bela história de amor sempre nos chamará a atenção, e em Tristão e Isolda o que temos é isso, é um desafio, torcemos pelos protagonistas, tentamos ver uma saída, mas a realidade bate a porta. Não há como fugir, até onde o amor pode chegar? E amar é também dizer adeus? Neste texto podemos ver todas as camadas desse sentimento e o conflito com os demais, como o ciúme. E agora posso me referir a Otelo, também de Shakespeare, quem nunca ficou tenso e temoroso ao ler a história de Desdêmona? Porém ao apoiar o amor entre duas pessoas, sendo uma delas comprometida com outra (sem amor), nos faz ver a traição com bons olhos? O fim justifica os meios? Tendemos a ver somente a parte do amor e nada mais, e ai percebe-se que às vezes isso é feito inconscientemente, fazendo o amor falar mais alto. Eu posso ser totalmente contra a traição e apoiar o amor entre os protagonistas. Mas ainda assim caímos em uma boa discussão. Por isso essas obras são imortais, porque elas continuam falando sobre valores universais, sentimentos humanos que não mudam e fazem parte de nossa natureza, além de nos dar um bom conteúdo para reflexão e discussão.

Em “A aveleira e a madressilva” a autora brilhantemente soube conduzir esse conto de forma que manteve a pureza de traços da cultura celta, dos detalhes da época, em uma linguagem culta, porém acessível. Como ela mesma nos conta, algumas situações foram criadas pela sua imaginação, contudo essas foram necessárias para a condução do enredo. Percebe-se que a essência da história e sua base foram mantidas intactas, e as alterações da autora só vieram a contribuir para  o texto se tornar ainda mais envolvente a nós leitores.

Um clássico com toque de magia, uma viagem através de épocas e um mergulho a uma cultura que deve sim ser estudada, não esquecendo que eles nos deixaram um bem maravilhoso que muitos se esquecem de abordar: a literatura! Lindos contos, histórias passadas de gerações em gerações. Tristão e Isolda nos remetem a nós mesmos, a questionamentos atuais em uma sociedade que parece se esquecer do amor a cada dia, afinal que lugar damos a esse sentimento em nossa vida? Isso e muito mais pode ser discutido através dessa obra, que já é clássica por conta disso, por sobreviver ao tempo e continuar atemporal. 

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10 comentários

  1. Gostei muito da sua resenha. Sou fãda história de Tristão e Isolda. Tenho certeza que vou gostar desse livro.

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  2. achei muito bonito o respeito com o qual você descreve a história e seu envolvimento com a leitura, posso parecer bobona, mas não conheço o mito e acredito que possa aprender muito com esse livro!
    http://felicidadeemlivros.blogspot.com.br/

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  3. Já ouvi falar da história muito por cima.
    Eu acho que esse livro trás a oportunidade de conhecer um pouco mais o mito de Tristão e Isolda.

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  4. há muitas coisas nesta trama que não me agradam... que não são do meu estilo de leitura.
    a unica coisa que gostei ele mesmo foi a parte do romance... hahaha

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  5. Sério sua resenha está perfeita, mas apesar disso não tenho interesse em ler o livro.

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  6. Este não me interessou muito.
    Bjs, Rose

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  7. Este livro é a minha cara! A começar do título que é lindo! E depois só em pesnar em Tristão e Izolda já me vem uma nostalgia linda! Quero ler e ter certeza de que não me enganei com a resenha! Além disso que capa mais fofa essa Dai!

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  8. Oi Daiane

    Como sempre mais uma bela resenha, eu adorei e também sou contra a traição, ater tento evita livros com essa temática, mas avezes acabo lendo do mesmo jeito só por curiosidade rsrsrs. Quero muito lê-lo, e pela sua resenha você amou esse livro.

    Bjs!!

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  9. Oi =)

    Então... outra obra que eu não conhecia.
    Acho a temática bem bacana, sou totalmente contra a traição também. E ler algo assim, parece bem bacana.

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  10. Já li a história de Tristão e Isolda e já vi um filme sobre a história. Acho muito linda e romântica. Adorei a capa, adorei o título e adorei a resenha. Se tiver oportunidade lerei o livro!!

    Beijos!!

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