Entrevista com Raphael Montes

by - sexta-feira, julho 04, 2014

Olá pessoal!

Ontem foi ao ar a resenha do livro "Dias Perfeitos" do autor Raphael Montes. Este com certeza é um livro que tem dado o que falar, surpreendo aos leitores e a crítica! Então nessa semana especial da Companhia das Letras, nós blogueiros organizadores fizemos uma entrevista com o Raphael, a fim de entrar um pouquinho mais no universo desse autor, o qual foi super atencioso e respondeu com carinho nossas perguntas! Confiram!


Raphael Montes nasceu em 1990, no Rio de Janeiro. Advogado e escritor, publicou contos em diversas antologias de mistério, inclusive na Playboy e na prestigiada revista americana Ellery Queen Mystery Magazine. Suicidas (Saraiva), romance de estreia do autor, foi finalista do prêmio Benvirá de Literatura 2010, do prêmio Machado de Assis 2012 da Biblioteca Nacional e do prêmio São Paulo de Literatura 2013.

   





1) Quem é Raphael Montes?

Sou um carioca de 23 anos apaixonado por música brasileira, livros, vôlei de praia e comida tailandesa. Toco saxofone e flauta transversa, mas não tenho o menor talento pra música. Desde os doze anos, quero ser escritor, mas me formei em Direito pela Uerj. Publiquei Suicidas (Ed. Benvirá) em 2012, romance que felizmente foi sucesso de público e crítica, finalista do Prêmio Benvirá de Literatura 2010, do Prêmio Machado de Assis 2012 da Biblioteca Nacional e do Prêmio São Paulo de Literatura 2013. Em 2014, publiquei Dias Perfeitos (Ed. Companhia das Letras), que esgotou a primeira edição de dez mil exemplares em menos de três meses. Dias Perfeitos teve os direitos de tradução vendidos para 8 países (EUA, Canadá, Inglaterra, França, Espanha, Itália, Alemanha e Holanda) e será adaptado para o cinema. Com isso, dei um tempo na advocacia para me dedicar exclusivamente à literatura.


2)  “Dias Perfeitos” não é um livro composto dentro dos padrões que vemos em uma ficção. Você tinha essa intenção ou só percebeu isso após a publicação?

Parece-me que Dias Perfeitos tem uma premissa bastante clássica. É uma história de amor obsessivo, assunto já explorado em livros como Angústia e O colecionador e filmes como Ata-me e Encaixotando Helena. Ao escrever, meu desafio era buscar uma abordagem distinta e moderna do tema. Queria inovar, mas sem ignorar as referências, claro.
Em Dias Perfeitos, meu interesse foi a psicologia dos personagens, a reflexão do que leva alguém a cometer um crime. Queria entrar na mente de Téo, personagem obcecado por Clarice, e enxergar o mundo da perspectiva dele. Téo tem uma lógica impecável e justifica suas atitudes com muita racionalidade e calma. A maior dificuldade foi encontrar o tom, entrar naquela lógica e costurá-la ao longo do texto. Quando consegui, tudo fluiu naturalmente e, para meu espanto, eu já conseguia pensar como Téo, seguir suas ações perturbadoras sob um manto de justificativas plausíveis. Uma vez dentro de sua mente, tudo fez muito sentido: era razoável sequestrar a mulher amada para forçá-la a amá-lo.

3) “Dias Perfeitos” foi muito bem recebido pela crítica em geral. Como você se sente com tamanha aceitação?

Fico feliz, claro. Quando escrevo, de início, meu compromisso é comigo mesmo: contar histórias que eu gostaria de ler. Quando o livro é publicado, o compromisso é outro: atingir o maior número possível de pessoas. Gosto de ter leitores. Por isso, a boa recepção crítica e de vendas do livro me deixa muito feliz. Ao mesmo tempo, evito me deslumbrar com os acontecimentos, como a adaptação para o cinema e a tradução para outros países. Sei que cheguei até aqui através de muito trabalho e paciência. Pretendo seguir nesse caminho. Com o devido cuidado, sem pressa, ainda tenho muitas histórias para contar.

4)  O final do livro provavelmente chocou muitos leitores porque ninguém esperava aquela conclusão. Você recebeu críticas por causa disso?

Como leitor, sou apaixonado por finais surpreendentes. Acredito que um bom final é aquele que não deixa o leitor indiferente ao livro. É preciso causar alguma reação, dar um soco no estômago do leitor, deixá-lo chocado, indignado, impressionado, querendo comentar o livro com todo mundo. Quando o final é morno, o sujeito fecha o livro e pode começar outro sem que reste qualquer sensação da leitura recente. Acho isso péssimo.
Em Dias Perfeitos, o final estava previsto desde o início. Parece-me que os fatos caminham para aquele final. E eu sabia que muita gente ficaria chocada, cheguei a comentar isso com o editor e escrevi outra opção de final que, sem dúvida, agradaria com mais facilidade. O editor me apoiou a publicar o livro com o final mais polêmico. Desde que foi publicado, há várias resenhas elogiando o final, há várias outras reclamando do final. Encontrei, inclusive, um grupo de discussão na internet sobre isso. Gostando ou não, é um final a quem ninguém consegue ficar indiferente. Isso me deixa satisfeito.

5)   Como você começa um novo livro? Você estrutura primeiro os capítulos e define os personagens ou prefere deixar a inspiração fluir?

Nos tempos atuais, em que a atenção das pessoas é dividida entre a Tv, o Ipad, o rádio, as redes sociais etc, sinto a necessidade de criar tramas com ganchos fortes, que prendem o leitor do início ao fim, de modo que ele não consiga largar o livro. Sempre que possível, escaleto a trama, defino o conteúdo de cada capítulo, marco os pontos de virada, tomo todo um cuidado com o ritmo. Além disso, convivo com os personagens na minha cabeça por um bom tempo, refletindo como eles reagiriam nessa ou naquela situação. Só consigo escrever quando os personagens já estão bem dimensionados para mim e conheço o início e o final da história. O meio costuma ser meio nebuloso; tenho alguma noção, mas vou descobrindo conforme escrevo.

6) Você gostaria de deixar mensagem para seus atuais e futuros leitores?

     Adoro manter contato com meus leitores (atuais e futuros) nas redes sociais. Meu twitter é @montesraphael e meu facebook - onde sou mais ativo - é Raphael Montes II, já que o primeiro está lotado. O retorno dos leitores é sempre muito importante pra mim. Não hesitem em entrar em contato. De minha parte, continuarei a escrever histórias de suspense, com muita tensão e surpresas nas páginas. Por fim, peço sempre aos leitores que recomendem meus livros aos amigos. O boca a boca ainda é a melhor propaganda para o escritor brasileiro.

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4 comentários

  1. depois de tão bons comentários sobre o livro do autor, nada melhor do que conhecer um pouco mais do homem por trás das palavra
    http://felicidadeemlivros.blogspot.com.br/

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  2. Quero ler Dias Perfeitos :3
    http://charlottebillman.blogspot.com/

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  3. ainda não li o livro dele, mas estou muito curiosa. adoro este tipo de trama, e só vi resenha positiva dele até agora ;~~
    não sabia que o livro tinha sido lançado em tantos países assim já :O
    ele parece ser tão simpático! *-*

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  4. Não conhecia o autor e nem seu livro, é sempre bom saber mais um pouquinho.
    Bjs, Rose.

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