Resenha: A estrela de prata

by - terça-feira, novembro 04, 2014

Autora: Jeannette Walls
Páginas: 254
Ano: 2014
Editora: Globo Livros
Compre aqui: Livraria Saraiva

Duas irmãs abandonadas pela mãe declaram uma guerra particular contra inimigos sem rosto: a crueldade, o preconceito e a hipocrisia que vivem à espreita no chamado mundo adulto Liz e Bean são duas irmãs inseparáveis, filhas de uma artística mãe solteira, Charlotte, aspirante a cantora e atriz na efervescente Califórnia dos anos 1970. De súbito, as meninas se veem forçadas a enfrentar um evento decisivo: em busca da realização de seu ideal artístico, Charlote abandona as filhas, deixando-lhes dinheiro suficiente apenas para que sobrevivam por pouco mais de um mês. Aqueles leitores que já travaram contato com as memórias da premiada best-seller Jeanette Walls em "O Castelo de Vidro", reconhecerão em "A Estrela de Prata" alguns temas muito caros à autora. Temos o olhar agudo sobre a infância, vivida em famílias pouco convencionais, às margens da sociedade, enfrentando a dureza da luta diária pela sobrevivência. Em "A Estrela de Prata", acompanhamos a aventura de Liz e Bean em busca de amor, solidariedade, e, no limite, do pão diário. Tornadas órfãs, embora a mãe esteja viva, a situação-limite exige um esforço inaudito de superação. “Encontre a magia. E, se você não puder encontrar magia, então a crie”, recomendava Charlote a Liz e Bean. É uma bela definição da arte da literatura, essa busca eterna pela fugaz epifania. É essa a história que lemos. A aventura de enfrentar a dor da vida e extrair dela, no limite, bocados diários de magia.

Eu sempre ouvi comentários sobre a Jeannette Walls, porém não havia lido ainda nenhum livro seu, até que “A estrela de prata” me pareceu uma boa oportunidade para conhecer o trabalho da autora, que certamente me conquistou. 

Devo dizer antes que Liz e Bean me encantaram, a relação de companheirismo entre essas duas irmãs é algo que nos toca, ainda mais dentro desta situação que elas vivem, o de serem abandonadas pela própria mãe. Em alguns momentos repudiei as atitudes dessa mulher por fazer isso com suas filhas, porém fica difícil se estabelecer algum julgamento, pois de certa forma ela as amava. 

Sei que é contrastante, e um pouco difícil de se aceitar que alguém que ame consiga assim de uma hora para outra deixar suas filhas apenas com algum dinheiro e comida congelada e sumir, mas Walls criou seu enredo de uma forma tão incrível, que não há como não perceber esses detalhes e não se apegar a relação de aprendizado e amor que une essas garotas. 

Já vi situações semelhantes a essa narrada pela autora na vida real, já conheci casos até mesmo próximo, e a mim foi visível a verossimilhança da obra. O que as Liz e Bean precisaram passar não é nada fácil, elas enfrentam o preconceito, o medo, e ao contrário que vocês pensem, o rancor não é algo que se faz presente, a união dessas irmãs e o amor de uma com a outra é o que prevalece e se torna como centro maior de toda de história. 

O livro é narrado em primeira pessoa por Bean, e fiquei encantada com a escrita da autora e agora entendo porquê de tantos elogios a seu respeito. É simplesmente uma delícia de se ler, além de sermos completamente envolvidos, sua habilidade de contar histórias é realmente maravilhosa. A beleza das emoções apresentadas é algo que cativa e emociona, de uma forma que é impossível se esquecer desta obra e não se sentir próximo aos personagens. 

Walls nos leva além de suas páginas ao nos fazer refletir, conquistando o leitor e o fazendo se perder em um mar de pensamentos e sensações. Livro mais que recomendado, para apreciadores de bons livros e lindas histórias A estrela de prata é uma leitura imprescindível.

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1 comentários

  1. como é possível uma mãe fazer isso? estou um pouco chocada!
    http://felicidadeemlivros.blogspot.com.br/

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