[Divagações] Poesias cúmplices

by - sábado, dezembro 13, 2014


São apenas poesias em pedaços de papel, como uma chuva branca eu as espalho pelo meu quarto. Vejo ali escritos todas as palavras confessadas a tinta, e silenciosamente elas me sussurram as minhas próprias loucuras.

A música soa alta em meus fones e sinto que estou me perdendo em meu próprio mundo ouvindo meus próprios murmúrios. Tenho essa mania de me traduzir em poemas, criar minhas metáforas para tudo que não consigo mais explicar. Preciso dos meus exageros, dos meus erros, para conseguir expressar aquilo que parte de mim insiste em ser.

Deixo cada folha voar livre pela imensidão silenciosa que aqui se formou, pequenos pássaros brancos que já não estão mais presos, libero para o mundo todos os meus delírios. Você se lembra de quando eu escondia todas elas em gavetas? Liberta-as, você disse. Liberte-se, eu ouvi.

Derrubo a taça de vinho e vejo sua vermelhidão se espalhar pelo tapete, borrando as palavras de um amor passado estampado em um poema esquecido, rio da ironia ao ver todas aqueles desejos agora afogados em lágrimas vermelhas.

Dentro de minha própria loucura nunca me vi tão sóbria. Cubro-me de sonhos em dias que a realidade se torna a um passo do insuportável, e quando me lembro de ti, faço das minhas memórias a matéria-prima para alguma arte.

Olho para todas essas palavras que me cercam, é como se elas me encarassem de volta acusando-me daquilo que um dia fui, e que talvez ainda insista em ser. Uso-as a meu bel prazer, e vejo ali refletido tudo o que minha alma deseja dizer.

Adormeço sobre nuvens brancas, embriagada pelo meu próprio lirismo dito em momentos em que a razão me deixa sem chão. E assim afasto a solidão mergulhando em letras, pois enquanto eu tiver minha escrita sei que serei compreendida por pedaços de papéis em brancos, que me ouvem sem reação.

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1 comentários

  1. é um pouquinho de nós mesmos expressados em suas palavras!
    http://felicidadeemlivros.blogspot.com.br/

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Blog no ar desde 08/11/2011

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