Resenha: Eu sou Malala

by - segunda-feira, dezembro 15, 2014

Autora: Malala Yousafzai e Christina Lamb
Páginas: 342
Ano: 2014
Editora: Companhia das Letras
Compre aqui: Livraria Saraiva

Quando o Talibã tomou controle do vale do Swat, uma menina levantou a voz. Malala Yousafzai recusou-se a permanecer em silêncio e lutou pelo seu direito à educação. Mas em 9 de outubro de 2012, uma terça-feira, ela quase pagou o preço com a vida. Malala foi atingida na cabeça por um tiro à queima-roupa dentro do ônibus no qual voltava da escola. Poucos acreditaram que ela sobreviveria. Mas a recuperação milagrosa de Malala a levou em uma viagem extraordinária de um vale remoto no norte do Paquistão para as salas das Nações Unidas em Nova York. Aos dezesseis anos, ela se tornou um símbolo global de protesto pacífico e a candidata mais jovem da história a receber o Prêmio Nobel da Paz. Eu sou Malala é a história de uma família exilada pelo terrorismo global, da luta pelo direito à educação feminina e dos obstáculos à valorização da mulher em uma sociedade que valoriza filhos homens. O livro acompanha a infância da garota no Paquistão, os primeiros anos de vida escolar, as asperezas da vida numa região marcada pela desigualdade social, as belezas do deserto e as trevas da vida sob o Talibã. Escrito em parceria com a jornalista britânica Christina Lamb, este livro é uma janela para a singularidade poderosa de uma menina cheia de brio e talento, mas também para um universo religioso e cultural cheio de interdições e particularidades, muitas vezes incompreendido pelo Ocidente. “Sentar numa cadeira, ler meus livros rodeada pelos meus amigos é um direito meu”, ela diz numa das últimas passagens do livro. A história de Malala renova a crença na capacidade de uma pessoa de inspirar e modificar o mundo.

Eu Sou Malala era uma das biografias que eu mais desejava ler este ano. Pelo pouco que sabia desta jovem já a admirava, porém sabia que tinha ainda mais coisas que poderia aprender com ela. Queria saber mais detalhes de sua vida, sua luta, e daquele dia em que seu mundo mudou completamente.

O pensamento de Malala, sua garra, e sua postura de não se acomodar e lutar pelos direito de todos poderem ter acesso a educação, me fizeram ficar admirada pela sua coragem e também caráter. Jovem, e já com uma bela história de vida, que com certeza tem muito a nos ensinar. E foi isso que aconteceu nesta biografia, página a página eu me surpreendia e aprendia cada vez mais.

Neste livro conhecemos mais sobre a pessoa de Malala também, sua família, anseios, e o lugar onde cresceu em Swat no Paquistão. Eu sempre leio livros que abordam a religião muçulmana e a região o Oriente Médio, algumas coisas e detalhes da cultura que encontrei referenciadas aqui não foram novidades para mim, mas nem por isso deixaram de me impactar menos. São nesses momentos que percebo a importância de se refletir, estender os horizontes para além daquilo que nos é confortável, e a leitura, informação e a edução são ferramentas poderosas para isso.

Viver sob a ameaça terrorista, não ter todas as “facilidades” que nós, por exemplo, temos e as vezes nem damos importância, tentar se fazer ouvir em um ambiente em que a repressão é tão forte, e desigualdades tão marcantes, me fez se emocionar e me envolver cada vez mais com a história de vida e  luta dessa jovem, que é não somente um exemplo de maturidade, mas também de ser humano.

Dentro de uma cultura onde nem todos tem direito a educação, e que impera uma visão radical e machista sobre as mulheres, Malala teve um pensamento grande, não se conformando com aquilo que diziam que ela deveria ser, e em meio ao caos levantou sua voz, por ela e por todas as meninas e crianças no mundo. Mesmo com sua vida correndo riscos, mesmo após o dia em que aquele terrorista atirou nela e em suas amigas que estavam ao seu redor, ela não deixou se abater e seguiu em frente com sua causa.

Malala recentemente recebeu o prêmio Nobel da Paz, muito mais do que merecido em reconhecimento a sua luta. Nessas páginas eu vi o exemplo de força, coragem, fé, amor, e de vida. Precisamos de mais pessoas como ela no mundo, em que não desistam e não tenham medo de lutar por seus direitos. Com “Eu sou Malala” consegui ver aquela chama de esperança, que felizmente, não se apagou e ainda brilha em nosso mundo.

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4 comentários

  1. eu estudei um pouco da Malala na minha graduação de forma paralela, compreendo a questão da luta dela por uma educação para as mulheres e seus entraves com os poderosos locais, achei-a muito madura para uma menina tão jovem!
    com certeza um exemplo de que a vontade e consciência naquilo que se almeja nos levam a lugares inimagináveis!
    http://felicidadeemlivros.blogspot.com.br/

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  2. Não sou de ler esse tipo de livro, mas acho legal ver resenha. Assim dá para saber ao menos um pouco. Vi a história dela e achei muito interessante. Ganhar um Nobel tão jovem! Gente, é impressionante e você fica admirada com isso. Queria ser forte e destemida assim! Muito legal.

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  3. Uau!!!
    Sua resenha me fez, ainda mais, querer ler esse livro! :D
    Com certeza ela merece ainda mais reconhecimento por fazer algo tão bom e ter muita coragem para isso...
    Bato palmas por uma atitute tão bonita!

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  4. Oi, Daiane!
    Este livro já entrou na minha lista de leitura em 2014, mas não foi possível lê-lo.
    Agora, volta para a minha lista em 2015 e é prioridade, principalmente após ler a sua resenha.
    É uma história emocionante!

    Beijos!

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