Resenha: Não se esqueça de Paris

by - sexta-feira, dezembro 12, 2014

Autora: Deborah McKinlay
Páginas: 207
Ano: 2014
Editora: Globo Livros
Compre aqui: Livrarias Saraiva

Tudo começa com uma carta. Eve Pethwork é uma inglesa insegura e um tanto ansiosa que está assoberbada com os preparativos para o casamento da filha. Eve tem mais de quarenta anos e vive enclausurada em sua casa, pois espaços públicos lhe provocam angústia e a interação com outras pessoas é difícil para ela. Jackson Cooper é um escritor bem-sucedido que vive nos Estados Unidos. Apesar de estar sempre rodeado por pessoas, especialmente mulheres, vive em eterna crise amorosa. Enquanto tenta colocar seu relacionamento com a nova namorada nos trilhos, Jackson vive o maior bloqueio criativo de sua carreira. Sem rumo para o novo livro, começa a questionar suas escolhas e suas expectativas para o futuro. Vencendo sua própria timidez, Eve decide escrever uma carta para Jackson, seu autor preferido, elogiando uma cena narrada em um de seus livros. Embora esteja acostumado com o assédio das fãs, ele é atraído pelas palavras de Eve e decide responder sua mensagem. A partir daí uma troca de mensagens surge entre eles. A criatividade que falta a Jackson nas páginas em branco acaba sendo canalizada para a cozinha, onde passa horas preparando os mais diferentes pratos. Porém, para sua frustração, sua namorada é vegetariana e ele quase sempre é obrigado a degustar suas criações sozinho. Só que ele logo descobre que a culinária também é uma das paixões de Eve e o amor pela boa-mesa estreita ainda mais os laços entre os dois. Apesar da distância e de não terem aparentemente nada em comum, a curiosidade fala mais alto e Jackson decide marcar um encontro com Eve. Como vivem em continentes diferentes, ele propõe como cenário a cidade de Paris, a Meca da gastronomia e dos amantes. Eve é então colocada em xeque, sendo desafiada a vencer todos os seus medos em nome daquilo que pode ser a história de amor com a qual sempre sonhou. Não se esqueça de Paris mostra que todos têm uma chance de ser feliz, independente da idade, da distância e dos próprios fantasmas.

Eu sou fascinada por coisas que envolvem Paris – confesso. Mesmo ainda não tendo conhecido essa cidade (porém tenho fé que um dia irei), adoro viajar por livros que sejam ambientados na capital francesa, imagens, etc. Então claro que eu não podia deixar de ler Não se esqueça de Paris, ainda mais com uma sinopse tão fofa.

Ao começar a leitura você percebe que é um livro que através de seus personagens nos traz reflexões sobre problemas reais, principalmente os ligados a sentimentos. Jackson não está num período fácil em sua vida após a separação, e Eve é uma mulher mais reclusa, que guarda segredos e algumas mágoas também.

A princípio a obra não tem grandes picos de emoção, pois vamos conhecendo aos poucos os personagens e seus dramas atuais. A leitura não me prendia de fato, mesmo com a narrativa leve eu sentia que o livro ainda não conseguia me envolver, porém em suas entrelinhas eu percebia que havia alguma beleza e assim continuei esperando por esta.

Felizmente a encontrei quando virei a última página. Ali eu senti e entendi a mensagem a ser passada, e pude gostar da obra como um todo. Não é uma história cheia de surpresas, mas que vale a pena ser lida pela sensibilidade em sua composição e principalmente na elaboração de personagens tão complexos e ao mesmo tempo tão reais.

O livro pode não envolver o leitor rapidamente, o qual durante a leitura poderá sentir um certo distanciamento com o que ali se lê, contudo se este se dedicar a entender e compreender os personagens perceberá a delicadeza que permeia o enredo e as nuanças de sentimentos ali transpostos.

Gostei do rumo tomado pela autora para o desfecho, a última linha me fez sorrir pela leve ousadia de McKinlay que deixou-me em meio a algumas indagações, as quais se dispersaram após refletir que a vida é assim mesmo, cheia de incertezas. Não se esqueça de Paris é um livro leve, sensível, e que traz sua essência a importância de conhecermos a nós mesmos, e compreender os sentimentos que nos compõe, para só assim aprendermos a seguir em frente.

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5 comentários

  1. Oi Daiane, tudo bem?

    Eu não conhecia o livro, mas fiquei bastante interessado. A premissa parece ser muito boa e o livro realmente parece ser leve. Não curto muito livros que se passam em Paris (por algum motivo, nunca dou certo com eles), mas acho que vou dar uma chance a esse. Beijos!

    http://euvivolendo.blogspot.com.br/

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  2. Acho que somos um pouco parecidas então Daiane, pois eu adoro livros, ou qualquer outra coisa que fale de Paris. Um dia quem sabe eu visito a cidade..rs
    Algumas obras não começam emocionantes mesmo. Mas que acabou gostando do final.
    Eu ainda não o conhecia. Gostei da dica.

    livrosvamosdevoralos.blogspot.com.br

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  3. Adoro livros ambientados em cidades históricas, viajo através deles. Adorei a sinopse, quero ler *o*

    http://www.eucurtoliteratura.com/

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  4. que resenha mais maravilhosa, mais uma! gostei bastante do enredo!
    a premissa deste é incrivel e sua resenha mais uma vez dispensa comentários!
    http://felicidadeemlivros.blogspot.com.br/

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  5. Adorooo tudo o que leio sobre Paris 📚 me sinto em casa rsrs ... Se você dar algumas dicaaas ou ate criar um grupo de whatsapp para trocarmos idéias de livros 98525 9223
    edienesiqueirad@gmail.com

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