Resenha: Fúria Vermelha

by - segunda-feira, fevereiro 09, 2015

Autor: Pierce Brown
Páginas: 467
Ano: 2014
Editora: Globo Livros

Fúria Vermelha é o primeiro volume da trilogia Fúria Vermelha, e revive o romance de ficção científica que critica com inteligência a sociedade atual. Em um futuro não tão distante, o homem já colonizou Marte e vive no planeta em uma sociedade definida por castas. Darrow é um dos jovens que vivem na base dessa pirâmide social, escavando túneis subterrâneos a mando do governo, sem ver a luz do sol. Até o dia que percebe que o mundo em que vive é uma mentira, e decide desvendar o que há por trás daquele sistema opressor. Tomado pela vingança e com a ajuda de rebeldes, Darrow vai para a superfície e se infiltra para descobrir a verdade. 'Fúria Vermelha' será adaptado para o cinema por Marc Forster, diretor de Guerra mundial Z.
LISTA DE CLASSES
Ouros: Membros mais nobres da sociedade. Os mais fortes e belos, orgulhosos e vaidosos. Controlam toda a sociedade.
Pratas: Contabilizam e manipulam a moeda e a logística.
Brancos: Controlam a justiça e a filosofia da sociedade. São os pensadores.
Cobres: Também chamados de Centavos, administram a burocracia e o Comitê de Qualidade.
Azuis: São os viajantes e exploradores do universo.
Amarelos: Estudam os medicamentos e as ciências.
Verdes: Desenvolvem a tecnologia.
Violetas: Os criativos. Considerados artistas da sociedade.
Laranjas: Os engenheiros mecânicos. São os mais prestigiados da classe dos trabalhadores.
Cinzas: Também chamados de Latões, garantem a ordem e a hierarquia nas sociedades.
Marrons: Serviçais das tarefas cotidianas.
Obsidianos: Também chamados de Corvos. Elite militar da sociedade, garantem a proteção dos Dourados.
Rosas: São empregados e proporcionadores de prazer da alta sociedade.
Vermelhos: As formigas operárias da sociedade. A capacidade física e mental dos integrantes dessa cor é imensurável.

Confesso que ainda estou entorpecida com a leitura de Fúria Vermelha. Já a realizei há um tempo, mas sabe quando mesmo assim você ainda fica sem palavras para explicar a magnitude de algo? Estou assim perante esse livro, que com o perdão da palavra, é foda demais. Poucas são as distopias que conseguem me tirar do eixo, e poucos são os livros que me fazem ter vontade de abraçar o autor e chamá-lo de gênio. Lembro que ano passado minha leitura favorita foi Battle Royale, e pensei: não, nenhum outro livro vai chegar nesse nível de me fazer surtar. E por fim me enganei (felizmente), pois Fúria Vermelha me surpreendeu mais do que eu esperava.

Uma sociedade dividia em castas, cruel, desigual, opressora, em um futuro onde Marte está sendo colonizada, e os vermelhos pertencem a casta mais baixa desse planeta. Pierce Brown já começa seus capítulos impactando o leitor e levando seus personagens, especialmente Darrow, ao limite. É uma sequência de ações que fazem nosso sangue ferver, e uma fúria despertar em nós também. 

Cada traçado dessa história, muitas vezes marcada pela injustiça, mentiras e tragédias, são colocadas detalhadamente. Acompanhamos toda a evolução de Darrow, nossa sede por vingança cresce junto com a dele. Assim como ele, sentimos o nó na garganta se formar. Darrow é um personagem tão humano, que mesmo muitas vezes o vendo como um possível herói, o autor faz questão de nos mostrar o quão humano este é, como qualquer outra pessoa. Dando a entender que não é preciso ser dotado de superpoderes para se lutar pelo que acredita, mas sim coragem.

Dessa forma Brown criou um personagem com uma alma tão verdadeira, com defeitos e qualidades, porém com uma sede de justiça que se destaca no livro todo. Às vezes o amamos, em outras odiamos. E isso acontece também com os demais personagens secundários que são tão palpáveis e dolorosamente reais, assim como Darrow. 

Dentro de um enredo demarcado por guerras, traições, etc, que surpreende a cada nova ação, Brown soube como dar vida a essa história trabalhando a fundo as relações humanas dentro dela. E foi isso que fez com que a obra tomasse a dimensão que tomou. Embora seja uma história com tudo que gostamos: ação, suspense, jogos, etc, a parte humana não faltou, já que os sentimentos entrelaçados em situações que pessoas são levadas ao limite e o eu verdadeiro de cada um se revela, humanos e animais chegam a ser tão próximos que a natureza falará mais alto. Assim eu não conseguia encaixar a palavra “ética” nesse contexto, e percebi o quanto isso pode ser limitado ao se referir ao ser humano como ele é em si, porém encontrei outra que se adequou mais: “humanidade”. E isto nesta obra não falta.

A crítica presente é como um espelho para a nossa sociedade atual. Todas ali intrínsecas e dispostas a um leitor atento. Não é incomum pegar-se refletindo sobre todas as ações, desde a disposição politica, até as relações pequenas da sociedade. Tudo ali está explícito, mas não pense que o tapa também não cairá sobre teu rosto, ao contrário, a verdade nua e crua cai frente aos nossos olhos e entra em nossa mente sem pedir licença. Afinal, somos todos partes de uma sociedade, nossas ações também refletem, mas o que fazemos para tentar mudar? O que você faz para tentar mudar?

Fúria Vermelha se tornou um dos meus livros favoritos, tão bem escrito, tão bem composto, que a meu ver é um dos melhores livros do gênero atualmente. Pierce Brown tem um talento incrível, dono de uma narrativa instigante, ágil, um autor que não teme em expor a humanidade de seus personagens, marcando sua história a sangue. Deixando uma mensagem de força, coragem, e claro, mal posso esperar pelo segundo livro. Tenho certeza absoluta que ele é um dos autores mais brilhantes da atualidade, ouso a dizer sem dúvida alguma a nível de inclusive George Martin. Se você ainda não leu, não espere mais nenhum segundo, este livro tem que estar na sua estante e na sua lista de próximas leituras.

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