Resenha: Para onde vai o amor?

by - terça-feira, novembro 17, 2015

Autor: Fabrício Carpinejar
Páginas: 170
Ano: 2015
Editora: Bertrand Brasil

O amor não é uma propriedade de quem sente, é uma transferência total para quem é amado Você que está vendo este livro com dúvida se precisa dele, você não precisa dele, precisa de si, vive caçando uma palavra que confirme o que deseja, está atrás de um escritor que possa lhe recomendar de volta para quem brigou, com capacidade de explicar o que sente e traduzir seus tormentos. Mas já sabe o que deseja, não há como convencer do contrário, os amigos mostraram que seu relacionamento não tem futuro. Não acredita neles, acredita somente no milagre. E como justificar um milagre, ainda mais para quem não tem mais fé? Eu entendo o que está passando: sua raiva, sua amargura, seu cinismo, seu desencanto. Percebeu que a razão não conforta, que a vingança ou o perdão não ressuscita a tranquilidade, que o fundo do poço nunca se equivale ao nosso fundo. Você parece normal, mas todo mundo deixa de ser normal quando se apaixona e se separa. Se sua expectativa é por uma solução, eu guardo apenas uma certeza que trará alívio mais adiante: você não vai desistir. Quando diz que acabou a relação, é que está procurando um outro jeito de recomeçar. Em seu novo livro de crônicas, Carpinejar apresenta 42 textos que sobre amor, desilusão amorosa, casamento, divórcio, saudade e outros sentimentos que compõem os relacionamentos. • Novo livro de crônicas do autor gaúcho. • Décimo sexto livro do autor publicado pela Bertrand Brasil — oitavo de crônicas.

Ter um livro de Fabrício Carpinejar em mãos é carregar a certeza de que as palavras ali presentes te tocarão de alguma forma e jamais passarão despercebidas, pois um texto de Carpinejar não se lê somente com os olhos, mas sim com a alma. É um sentir que te envolve por completo.

Foi assim que recebi “Para onde vai o amor”, com o coração pesado e ao mesmo tempo ansioso para receber algumas doses daquelas verdades que a gente no fundo sempre sabe, porém se espanta ao ver frente a frente.

Ah que crônicas! Simples, singelas, mas são ali naquelas linhas comuns de situações tão corriqueiras que os detalhes se encontram, e são eles que ao final enchem nossa mente de pensamentos e nosso coração de certezas: que o amor tem lugar certo, ele nasce, vive, morre e renasce em nós mesmos.

Não pense que aqui o autor te presenteará com soluções práticas, rápidas e fáceis, sinto muito leitor, mas se seu intuito é achar um “cura dor de cotovelo” esse livro não é pra você. Aqui você poderá se identificar com as inúmeras situações e perceber que todos nós amamos e reagimos da mesma forma, e todos os seus sentimentos pelos quais se culpa ou tenta achar culpados nada mais são que reflexo de suas próprias emoções. Ou seja, você é apenas mais um humano escravo de suas próprias escolhas e vítima de um sentir que já não é mais seu, pois o amor transcede qualquer essência e está além de mim e de você.

Não digo que foi fácil ler, confesso que algumas passagens me deixaram ali com o peito apertado, sentindo aquele leve formigamento de negação e depois alguns momentos de aceitação. Carpinejar expõe a alma humana de forma real, porém com uma beleza poética impecável. É um autor que na simplicidade consegue trazer grandes sinceridades, mostrando as faces opostas de um sentimento belo e ao mesmo tempo trágico.

Li este livro em doses homeopáticas, me vi adentrando a um paraíso de emoções. Recomendo a leitura para quem já amou, porém já vou avisando qualquer semelhança com a tua vida pode ser apenas mera coincidência. Leia, se achegue, e encontre sentimentos que só um poeta como o Carpinejar poderia traduzir em palavras.


"O amor não é uma propriedade de quem sente, é uma transferência total para quem é amado. Assim como uma carta é de quem lê, não de quem mandou. Espero que você não tenha jogado fora."

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1 comentários

  1. Oi Daiane,
    Ainda não tive o prazer de ler algum livro de Fabrício Carpinejar.
    Achei o começo da sua resenha muito inspirador!
    Eu sou uma adoradora de crônicas, acredito que esse livro pode me fazer muito bem, haha. Principalmente para perceber que o que acontece comigo, pode acontecer com qualquer um.
    Por fim, fiquei extremamente curiosa para saber como o autor narra a alma do homem.
    Beijos!
    Historiar

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