Medianeras – Buenos Aires na Era do Amor Virtual

by - domingo, dezembro 13, 2015


Sempre gostei do cinema argentino, as produções simples e os roteiros bem produzidos são marcas que me cativam para as películas dos nossos vizinhos. Medianeras me veio por uma indicação e não pude deixar de conhecer, e também me encantar!

O início com diferentes cenas da arquitetura atual da cidade de Buenos Aires mostra uma Argentina em constante desenvolvimento, porém, todas as frases com a narração deliciosa e sincera deste início podem se aplicar a diferentes cidades, países, pois o sentimento é único: como cada vez mais as pessoas têm se isolado dentro de uma solidão própria, mesmo com todo o acesso à tecnologia que promete nos aproximar. O que gera certa discordância, pois quanto mais esta nos aproxima mais nos afasta de nós mesmos.



Para quem não sabe, medianeras são as paredes laterais dos prédios onde são colocadas propagandas. Martin e Mariana são vizinhos e não sabem, e o filme nos mostra o lado de cada um, suas dúvidas, tristezas, rotina e aos poucos tece uma história de encontros e desencontros que nos cativa até o último minuto!

Tanto Martin quanto Mariana são jovens e se veem frente a um estágio de solidão e até mesmo depressão, onde cada um está isolado em si mesmo sendo oprimidos por sentimentos de não saber a que lugar pertencer e terem grandes vazios tanto dentro de si quanto fora.

É belo ver os detalhes nos sentimentos de cada personagem trabalhados por vezes de forma imperceptível, mas que diante de um olhar atento tornam-se esplendidos como poesia nas entrelinhas. O leve acento de comédia dá ao drama certa suavidade, porém sem tirar sua real intenção: mostrar as pequenas solidões diárias que crescem como ervas daninhas, se alojam e ficam dentro de nós e acabamos nos acostumando e nem percebemos mais. Assim, passamos a perceber que mesmo rodeados de pessoas estamos cada vez mais sozinhos.



O enredo é perfeitamente trabalhado, unindo a fotografia belíssima junto a imagens perfeitamente criadas para trazer ao expectador um filme delicado, belo, suave, cômico, romântico e ao mesmo tempo melancólico, porém sem dramatizar tanto. Em suma, Medianeras nos cativa pela sua simplicidade.

Também há várias referências como a Tim Burton e ao livro "Onde está o Wally", entre outras. Para quem gosta de filmes com excelentes mensagens e boas referências ele também tende a agradar. 

Recomendo para aqueles que desejam conhecer um pouquinho mais do cinema argentino, que buscam um filme delicioso para uma tarde ou dia de chuva, ou que simplesmente gostam de se encantar! 

Ano de Lançamento: 2011
Gênero: Romance, Comédia, Drama.
Duração: 95 min.
Sinopse: Martin (Javier Drolas) é um fóbico em processo de recuperação. Pouco a pouco, ele consegue sair do isolamento de seu apartamento e de sua realidade virtual. Ele é um web designer. Mariana (Pilar López de Ayala) acabou de terminar depois de um longo relacionamento. Sua cabeça é uma bagunça, assim como o apartamento onde ela se refugia. Martin e Mariana vivem no mesmo quarteirão, mas ainda que seus caminhos se cruzam eles não chegam a se encontrar. Eles caminham através dos mesmos lugares, mas eles não percebem uns aos outros. Como eles podem se reunir em uma cidade de três milhões de pessoas? Eles vivem no centro de Buenos Aires, a cidade que os une e também os separa.

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