Entenda, você sempre será julgado

by - terça-feira, janeiro 12, 2016


Por esses dias, após escrever a resenha de um livro que gostei muito, peguei-me pensando sobre quem da minha roda de amigos poderia gostar deste, já que estava doida para indicá-lo para alguém (além aqui do blog). E assim, passei a refletir sobre meu gosto literário e a forma como muitas vezes fui julgada.

Talvez se eu te contar que leio de Machado de Assis até 50 tons de cinza, tranquilamente, você me estranhe. Comecei a gostar de ler através da literatura clássica, cursei Letras, mas nunca deixei de ler meus sobrenaturais juvenis, Deus me livre me afastar dos meus vampiros! Da mesma forma que Deus me livre tirarem de mim as peças de Shakespeare.

Desde sempre percebo como algumas pessoas tendem a me definir – e não somente a mim – pelo meu gosto literário. Para alguns seres humanos não dotados de muita inteligência a mulher que lê 50 tons de cinza é extremamente safada, pensa muito em sexo (como se não tivéssemos o direito, oras), pede pra levar uns tapinhas, isso quando não são chamadas de levianas, e vazias. Mas epa! Eu li 50 tons, muitas amigas minhas leram, e posso dizer com toda certeza, nenhuma de nós é vazia, ao contrário, somos mulheres bem-sucedidas, obrigada.

Às vezes se digo que amo Machado de Assis e aprendi a gostar de ler através de suas obras, algumas pessoas já pensam “ela é cult”, “superior”, “nunca vou contar que gosto de YA”, sendo que não tem nada a ver. Porém, ao tentar explicar que gosto de diversos gêneros, que procuro boas histórias e não rótulos, essas mesmas pessoas ficam confusas. Como assim quem leu Crepúsculo também já leu todos os romances da Clarice Lispector? Ou amar Os Lusíadas e também ter lido Harry Potter? Acontece, meus amigos.

Mas seres humanos têm essa constante mania de classificar as pessoas e colocá-las dentro de caixinhas definidas, como se quem lê uma coisa não pudesse também ler outra. Sempre acreditei que devemos ler o que nos agrada, a leitura deve ser acima de tudo uma atividade prazerosa. Penso que é bom sempre expandirmos nossos horizontes, ir além do cômodo, se por exemplo, você apenas gosta de romances, que tal dar uma chance aos suspenses? Ou se apenas gosta de clássicos, que tal ler, de mente aberta, os novos romances e autores contemporâneo? Se lê apenas autores estrangeiros, por que não romper esse preconceito e ler também nossos excelentes autores nacionais?

Hoje em dia não me incomodo nenhum pouco com a opinião alheia sobre o que eu leio, sigo sendo esse camaleão, e defino minhas leituras conforme minhas vontades. Há momentos que quero algo reflexivo, cult, em outros, algo mais melancólico, divertido, etc. Ler tudo o que me agrada, sem fazer segregação, me trouxe excelentes conversas com diferentes públicos, diversas reflexões sobre tantas visões, viagens a mundos incríveis, e descobertas primorosas. 

Todos somos julgados, seja por nossas escolhas literárias ou outros detalhes de nossas vidas, mas fato é que o que importa é saber o que gostamos, o que somos e acreditamos. Ao ouvir os sussurros daqueles que gostam de julgar, abra seu livro, e coloque-os no “mute”, não deixe ninguém estragar o seu prazer de ler o que ama e jamais sinta-se envergonhado. Vergonha deve sentir aqueles que insistem em rotular as pessoas, ao invés de olharem para si mesmas e verem quanto vazio e ignorância se acumulam em seu interior.

Leia também

1 comentários

  1. gostei muito do seu texto, realmente somos julgados demais pelo nosso gosto, como eu leio muitos romances ja fui chamada de cabeça oca e que esse tipo de livro é passatempo pra novela, o que é uma besteira!
    ler faz bem, não importa o que e cada um pode e deve ler o que quer
    felicidadeemlivros.blogspot.com.br

    ResponderExcluir

Blog no ar desde 08/11/2011

Blog no ar desde 08/11/2011