Resenha: Redoma

by - segunda-feira, janeiro 11, 2016

Autora: Meg Wolitzer
Páginas: 287
Ano: 2015
Editora: Globo Livros

Considerado o melhor livro jovem de 2014 pela Time se inspira no clássico autobiográfico de Sylvia Plath para falar sobre a dor da perda e a busca pela aceitação na adolescência
Se a vida fosse justa, Jam Gallahue estaria vivendo sua vida tranquila em Nova Jersey, assistindo a séries de comédia e abraçando seu namorado, Reeve Maxfield. Ela não estaria infeliz e sem vontade de se levantar da cama, nem estaria em um internato para adolescentes “emocionalmente frágeis”, com uma colega de quarto esquisita. Mas a vida não é justa, Jam perdeu seu primeiro amor e está completamente perdida.
A mudança de escola parece a única possibilidade de recuperação para a garota, que passou quase um ano mergulhada em tristeza. No entanto, ela odeia a nova rotina e decide levar tudo com o menor esforço possível. Por isso, Jam fica bastante surpresa quando descobre que foi selecionada para a exclusiva e lendária aula de “Tópicos Especiais em Inglês”, da misteriosa Sra. Quenell.A turma tem mais quatro estudantes, todos com histórico de traumas ainda piores que os de Jam. Mesmo assim, a professora parece não se importar com a fragilidade de seus alunos quando escolhe o livro que trabalhará durante o semestre: A redoma de vidro, de Sylvia Plath. O romance, que narra a série de eventos que levariam a estudante Esther Greenwood a um colapso nervoso, parece a opção mais improvável, e talvez inadequada, para adolescentes que ainda estão superando experiências difíceis.Além das discussões sobre o livro, cada aluno tem a tarefa de escrever em um diário entregue pela professora. E é esse trabalho que leva Jam e seus amigos desajustados à Redoma, um lugar misterioso onde o passado pode ser revivido, e cada um dos alunos pode rever sua vida antes do momento traumático que levou ao internato. Repleto de referências ao clássico de Sylvia Plath, Redoma é um romance sobre o primeiro amor, o sofrimento profundo, o amadurecimento e os problemas de aceitação na adolescência. É também uma história sobre como a amizade pode ajudar a superar os piores traumas da vida.

Começo de ano, férias da redação, preguiça, tateando minha estante em busca de algo para ler me deparo com esta obra que há tempos me namora. Tenho que confessar que nosso relacionamento começou com um certo interesse da minha parte, desculpe, acontece. Mas, claro que as letras garrafais de "Eleito o livro jovem do ano" estavam me flertando e deixando-me curiosa para essa história, pois quem em estado mental perfeito recusaria um bom romance? Eu que não, óbvio.

Embarquei de cabeça em um romance, que não me deixou um minuto sequer enquanto folhava suas páginas e me absorvia em cada linha. Sua história me encantava pelo cuidado e docilidade da escrita, que envolvia e me convida a mergulhar dentro de sentimentos distintos.

Fui apresentada à personagens jovens tão ricos, e aqui posso dizer que foi um grande trunfo de Wolitzer, pois não é por serem adolescentes que ela os subjugou, ao contrário, seus sentimentos foram tratados de forma real. Seus traumas não serviram de bagagens para penas, mas sim para superação interior própria. Ou seja, não há coitados ou vítimas, mas sim pessoas que sofreram com escolhas e consequências, e agora deviam aprender a lidar com elas.

Outro ponto a ser destacado é como a importância da literatura é constantemente abordada, e o poder quase que invisível que esta possui ao agir dentro de nossas vidas. A escrita mostra-se como uma libertação, conquistada através de palavras que tornam-se chaves para a voz de cada um. Com estes grandes ingredientes em mãos, a autora inseriu aquela leve pitada de mistério, quase imperceptível, mas que deu todo o sabor à sua obra e voilá! 

Mergulhei tão fundo nessa obra que em alguns momentos cheguei-me a ver dentro dela, como mais um dos alunos de Tópicos Especiais, como mais alguém a relatar uma experiência de como a literatura e também as palavras fizeram a diferença em minha vida. 

E assim, apaixonei-me este livro, que contém um enredo tão bom, e também tão surpreendente, que fica inevitável eu não dizer este clichê sobre como tudo foi tão rápido e intenso, como um amor de verão, ou no meu caso, um amor de uma tarde, mas que permanecerá para sempre em minha memória. Doeu virar a última página, porém foi igualmente satisfatório. Ah esses amores que ficam...

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1 comentários

  1. Daaaaaaaaaaai, que saudade de visitar o NUL! ♥♥♥

    Menina, vi tanta gente comentando desse livro que fiquei com vontade de ler assim por osmose, sabe? Sua resenha só aumentou minha vontade. Não costumo gostar de histórias superficiais que tratem adolescentes como personagens fúteis e tolos, além disso a importância da literatura já é mais um bônus.
    Amei sua resenha e prometo que vou voltar aqui mais vezes.
    Beijos!
    Ananda.
    http://www.entrelinhascasuais.com

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Blog no ar desde 08/11/2011

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