Aos 24 - Parte I

by - domingo, julho 10, 2016


De repente minha própria companhia me faz bem, e a solidão ganha outro sentido – dessa vez não tão assustador. As festas que acabam só no amanhecer já não parecem mais interessantes e são substituídas facilmente pelo Netflix.

Os cremes aumentam, todos com rótulos de anti-idade ou redução de sinais. Cuidar de si mesma torna-se bom, essencial, é um momento de serenidade entre você e seu próprio corpo. A academia dá lugar as aulas de pilates ou yoga, e a alimentação começa a ter maior importância. É mais agradável preparar um jantarzinho que apenas contentar-se com o hambúrguer da lanchonete mais próxima.

O all-star continua nos pés, acredito que mesmo quando eu tiver 50 anos ainda estarei com meus all-star vermelho levando o cachorro para passear. O batom azul ainda faz parte de alguns dias, não me importa se vão gostar ou não, mas eu me sinto muito bem quando estou com ele, é divertido.


Enquanto tomo meu café e preparo esta crônica, vejo que estou com 24 e não tenho muitas histórias, mas as que tenho valem por anos...

24 anos, divorciada, sem namorado, sem filhos, próxima dos pais, estudando com mais calma, carreira ganha uma nova visão, já que fazer o que se ama torna-se uma prioridade maior. Viagens são essenciais, livros se acumulam, dormir 8 horas por noite, e acordar cedo: feliz e bem disposta, quem diria?

Entrar em sites de notícias e decoração tornam-se mais excitantes que as redes sociais, as quais vão diminuindo cada vez mais. A opinião alheia é apenas um sussurro ao longe, que nem interfere mais nas suas ações.

As amizades são mais selecionadas, os amantes também. As pequenas coisas passam a ser mais valorizadas, e andamos com mais calmaria, sem pressa. 

De repente, percebo, que amadurecer é um presente que um tempo nos dá.

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Blog no ar desde 08/11/2011

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