Talvez você ainda não tenha entendido o amor

by - domingo, janeiro 29, 2017


Num dia desses me peguei refletindo sobre o amor e suas transformações. Na adolescência imaginava que o amor era uma coisa forte que você sentia, algo similar a uma paixão que vem, mas não se vai, fica.

Qual foi a minha sorte de ser agraciada nessa mesma fase com o amor, e meus caros, ele não chegou na hora não e nem da forma como eu imaginava. Amor não faz alarde, não chega gritando e nem prometendo, é um sentimento que vem devagarinho mesmo, é escorregadio, quase invisível.

Ele chega do seu lado e você não consegue ver, pois a verdade é que somos cegos para o amor. Temos nossas próprias expectativas de como ele vai ser, o moldamos da nossa forma, e assim o procuramos conforme o arquétipo que montamos. O esperamos como um trem que ao longe já dá os seus sinais, e aguardamos ansiosamente para adentrá-lo, trazendo nas mãos malas cheias de expectativas. Mas não, o amor é um barquinho pequeno, silencioso, que você não consegue avistar. Ele vem na penumbra, sem pressa, e quando lhe convida para embarcar você nunca sabe o que esperar e nem sabe quem é. Navegando entre as calmarias e tempestades um dia você vai despertar e perceber que o tempo todo quem te levou nessa viagem foi ele, o amor.

Aos poucos nossos olhos cegos cedem sua visão aos outros sentidos, que vão reconhecendo o amor que está escondido atrás do muro. Os lábios que sorriem desejam o sorriso do outro, o coração tem uma melodia própria, e a alma se expande. Amor é entrega. É a capacidade que temos de dividir um pedaço nosso com o outro e mesmo assim nos sentirmos inteiros.

Amor é o despertar silencioso de uma manhã preguiçosa, onde você sorri com a imagem da pessoa amada em sua tranquilidade e deseja delicadamente traçar na pele desenhos abstratos da sua mente, apenas para o sentir o toque mais suave do mundo.

Tive a certeza do amor quando desejei a felicidade do outro tanto quanto desejava a minha. E mesmo de longe admirei cada conquista, sorri com cada sorriso mesmo quando eles já não eram mais em minha direção. Aprendi que neste mundo nem todos são destinados a estar juntos, e que histórias de amor podem sim ter finais felizes mesmo quando cada um já seguiu o seu caminho.

É injusto com todos os que já amaram dizer que o sentimento foi em vão, ou perda de tempo, que a única coisa que restou foi a tristeza. Sabemos muito bem como é ter um coração arrancado do peito, dói, e dói pra caramba, mas o mesmo amor nos ensina como costurar nossos pedaços. O que muitos não entendem é que o amor se transforma, ele renasce em outras formas que às vezes não conseguimos perceber. Ele se transforma num bem-querer, na satisfação de ter vivido algo único, numa prece de agradecimento ao universo por ter conhecido um dos sentimentos mais puros dado ao homem na terra. Ele se transforma em uma felicidade calma, em respeito e gratidão.

O amor é maior que o ego, e quando passa deixa seu rastro sobre nossa vida, ara a terra e faz brotar tudo aquilo que não sabíamos poder sentir. O amor é nossa fênix, e ajuda-nos a transformarmos na melhor versão de nós mesmos.

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