Moonlight – a verdade que você precisa ver

by - terça-feira, fevereiro 28, 2017



Antes de transcorrer minha opinião sobre Moonlight, gostaria de deixar claro que não sou uma crítica de cinema, sou uma simples expectadora de olhos arregalados que se leva pelo sentir e com o pouco que pode, diz o que pensa sobre o que vê.

Moonlight, o nome por si só me aguçava, e entre os grandes aplausos para La La Land, ouvia-se o burburinho a respeito de um filme que estava quebrando barreiras. De um lado as estrelas, o encanto, o charme, e de outro as vozes da rua, que estavam se tornando mais forte e gritavam dentro da tela. Comparação entre duas obras primas? Não, elas coexistem e cada uma tem sua própria beleza.

No dia seguinte a cerimônia do Oscar, resolvi então assistir Moonlight, e aos pouquinhos era absorvida para sua história a ponto de senti-la em mim. Vi-me também encobrida por aquele filtro de tom nostálgico, e adentrei junto a Chiron a ruas deprimentes e uma casa sem amor com uma mãe dependente química, enquanto uma criança via-se perdida dentro do que ela era. 

Chiron simplesmente era assim, uma criança que não se identificava com as outras, de uma quietude que às vezes confundia-me com o medo em vez da timidez, pois quando uma voz é oprimida, o silêncio torna-se o porto seguro. Percebi que durante minha infância já conheci muitos Little (apelido de Chiron quando criança), que eram menosprezados e sofriam diariamente com as vozes chatas de outros que reproduziam o preconceito advindo das ruas, dos pais, da mídia, das pessoas. Da violência impregnada que perseguia Black (apelido de Chiron na adolescência), uma violência que não se justificava, que tinha como raiz apenas uma coisa: o preconceito.

Moonlight traz aquelas famosas verdades que nos dão tapas na cara, que filme cuidadoso e ao mesmo tempo cru, uma poesia que se vê e se sente nos detalhes, como se nos tomasse pelas mãos e nos dissesse: venha ver, o mundo é assim. Ele vai te levar a um lugar quase sem esperança, onde o amor é uma luz fraca longe demais no final de uma estrada, te mostrará o preconceito que está bem aí do teu lado, e no silêncio traz o grito forte de um jovem negro, gay e pobre, um grito das minorias das ruas americanas que juntas se fazem fortes.

Este é filme sobre pessoas, sensações, descobertas, pequenas felicidades, com diálogos francos e inteligentes. Não espere reviravoltas, perseguições, truques de câmera, não, nada disso, Moonlight é dono de uma forte simplicidade e traz em seu roteiro uma autenticidade única. É um filme poderoso. E por isso, mais do que merecedor de todos os prêmios que conquistou.

Assim como Chiron este é um filme tímido, e tão sincero que vai te fazer se revirar um pouco no sofá. Moonlight é a poesia das ruas, da vida. Você vai rir, chorar, se identificar, pensar, e vai sentir. Em tempos de medo, o cinema mostra sua força em um filme que veio para ser muito além do se imagina, que não acaba quando os créditos sobem, ele fica em você, e ensina o que é ser humano novamente.


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